Luciferases para fins biotecnológicos |
|
. |
![]() Proteínas presentes em distintas espécies de besouros podem se tornar uma poderosa ferramenta em diversos setores da ciência. Ao estudarem essas moléculas, caracterizadas pela baixa luminescência, pesquisadores brasileiros descobrem que mutações em alguns aminoácidos aumentam a emissão de luz. Sua ocorrência se deve a um conjunto de reações químicas altamente exotérmicas, catalisadas por enzimas, nas quais a energia das ligações químicas de compostos orgânicos é convertida preferencialmente em luz visível. Nestas reações, moléculas genericamente denominadas de luciferinas sofrem o processo de oxidação, produzindo moléculas eletronicamente excitadas que decaem emitindo luz. Estas reações são catalisadas por enzimas chamadas de luciferases. A bioluminescência pode servir como um ótimo bioindicador desde o nível molecular até o nível ambiental, e como excelente reagente bioanalítico e marcador celular de expressão gênica. O uso dessas substâncias em diferentes áreas científicas está sendo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus de Sorocaba e os resultados do estudo podem ser encontrados na edição de abril da revista Photochemical and Photobiological Sciences. O estudo atual teve como embasamento os dados obtidos em pesquisas realizadas anteriormente pelo mesmo grupo de cientistas, na qual foram clonadas e isoladas várias enzimas do grupo das luciferases de besouros das espécies brasileiras, Phrixotrix hirtus, Pyrearinus termitilluminans, Macrolampis e Cratomorphus distinctusn, que produzem respectivamente, luz vermelha, verde-azulada e pH-sensitivas. Utilizando essas enzimas, os cientistas realizaram a mutagênese sítio-dirigida, modelagem, e estudos funcionais, o que permitiu a eles demonstrar que o loop entre os resíduos 223-235 desempenha um papel essencial na determinação dos espectros de bioluminescência. Eles verificaram que a interação deste loop com os resíduos E311 e R337, são aparentemente responsáveis pela manutenção de uma conformação apropriada dos sítio-ativos das luciferases, responsável pela emissão de luz verde-amarela. O que os pesquisadores ainda não conseguiram determinar, é quais dos resíduos estão relacionados especificamente com as mudanças de aspectos de bioluminescência e com a sensibilidade ao pH. Por meio da caracterização físico-química destas enzimas, além da mutagênese sítio-dirigida, modelagem e da caracterização físico-química dessas enzimas, os pesquisadores pretendem identificar os resíduos importantes para as cores de bioluminescência nas luciferases das três espécies de besouros. Outro objetivo é o de realizar a estabilização destas proteínas quanto à temperatura e cinética, por meio da mutagênese sítio-dirigida e randômica, de forma a torná-las mais apropriadas para fins biotecnológicos. Por fim, eles pretendem também determinar as suas estruturas tridimensionais.
02/06/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG |
© BIOTEC AHG 2026 - Todos os direitos reservados - São Paulo, Brasil.