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Genes desligados alteram lignificação

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Uma nova descoberta feita por pesquisadores franceses poderá beneciciar as indústrias de biocombustíveis. Ao modificarem geneticamente plantas do gênero Arabdopsis, as mesmas deixaram de produzir duas enzimas responsáveis pela produção de lignina, alterando o processo de sacarificação.

No dia 14 de março a revista The Plant Cell, trouxe um artigo intitulado Disruption of LACCASE4 and 17 Results in Tissue-Specific Alterations to Lignification of Arabidopsis thaliana Stems, no qual são mostradas fortes evidências de que a enzima lacase exerça um importante papel no processo de lignificação – deposição de lignina na parede celular. A lignina é uma macromolécula tridimensional amorfa encontrada nas plantas terrestres, associada à celulose na parede celular cuja função é de conferir rigidez, impermeabilidade e resistência a ataques microbiológicos e mecânicos aos tecidos vegetais.

A equipe de pesquisadores responsável pelo estudo, pertencente ao Institut Jean Pierre Bourgin (INRA), França, utilizou plantas da espécie Arabidopsis thaliana como modelo para mostrar que a lacase contribui efetivamente para a lignificação da planta.

De acordo com a pesquisa foram identificados dezessete genes lacase e levando em consideração que os genes envolvidos nesse processo se expressem no caule, os pesquisadores examinaram a expressão de todos os 17 genes. Os resultados mostram que dois desses genes - LACCASE4 e LACCASE17 - foram encontrados com forte expressão no caule, tendo sido então selecionados para análise adicional.

Analisando plantas mutantes de Arabidopsis nas quais os genes LACCASE4 e LACCASE 17 foram silenciados, as plantas geneticamente modificadas foram cruzadas entre si para gerar mutantes duplos onde faltassem as enzimas dos dois genes. Em estufa, ambas as espécies, mutante simples e dupla, cresceram normalmente, entretanto, foi observado que o teor de lignina nos mutantes simples foi ligeiramente reduzido, já nos duplo mutantes, a redução ficou em até 40%. Esses resultados demonstram que os genes lacase exercem influência sobre a produção de lignina.

Um detalhe importante observado é que, nas plantas duplo mutantes, a redução da lignina teve um efeito positivo na sacarificação – processo em que os açúcares são liberados a partir da biomassa da planta.

A partir dos resultados obtidos no estudo, será possível desenvolver ou aprimorar os processos de obtenção dos biocombustíveis através da biomassa dos vegetais. Dessa forma, a redução da lignina pode representar um grande avanço para a produção dessa classe de combustíveis, trazendo grandes vantagens às indústrias.

07/04/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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