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Componentes ativos de algas

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Nos últimos anos, muito se tem discutido sobre o grande potencial industrial e biotecnológico das algas marinhas, mas em comparação com o volume de pesquisas e o desenvolvimento de produtos, o Brasil ainda está muito aquém das suas possibilidades, levando em consideração, principalmente, a grande extensão da região costeira e do que ela pode fornecer de matéria prima.

As algas podem ser divididas basicamente em dois grandes grupos - micro e macroalgas. Esses organismos são essenciais para a manutenção da vida no planeta, pois produzem mais oxigênio pela fotossíntese do que precisam na respiração, sendo o excesso liberado para o ambiente. Além disso, são importantes também para a cadeia alimentar marinha, já que servem de alimento para grande parte dos animais aquáticos.  

O uso dessas algas foi um dos temas abordados na 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - Ciências do Mar: herança para o futuro, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal. Com o título, Macroalgas Marinhas: Um Novo Campo de Aplicações Biotecnológicas, os pesquisadores da UFRN, Hugo Alexandre de Oliveira Rocha, do Instituto Biológico de São Paulo, Nair Sumie Yokoya e da UFRJ, Yocie Yoneshigue Valentin, discutiram o panorama atual e as perspectivas da utilização das macroalgas nos diferentes setores da indústria (alimentícia, farmacêutica) e biotecnológica.

Durante o evento foram abordados pontos importantes sobre uso das macroalgas e o potencial, ainda pouco explorado, do Brasil nesse setor frente a outros países, como o Japão e o Chile, respectivamente o primeiro e segundo maiores produtores mundiais de algas.

Os pesquisadores ressaltaram o fato de ainda se conhecer muito pouco sobre as propriedades farmacológicas das algas, quando comparado com o que já se sabe dos vegetais. Salientou-se também a importância das macroalgas para a biotecnologia, devido a sua capacidade de encapsular células animais e vegetais.

A biotecnologia marinha tem atuado de forma bastante efetiva junto à indústria médico-farmacêutica para o desenvolvimento de novas drogas a partir de diferentes espécies, dentre elas as algas.  Pela condição de imobilidade, alguns organismos marinhos, como por exemplo, as algas, desenvolveram uma necessidade de proteção por meio da produção de metabólitos secundários que são tóxicos para os predadores. São metabólitos com ações analgésicas, citotóxicas (algumas com ação anticancerígena), bactericidas, fungicidas, antiinflamatórias, antibióticas e antivirais. A ação terapêutica dessas substâncias vem sendo testada há anos por vários laboratórios. Isso mostra o grande potencial no tratamento de todas as doenças causadas por bactérias, fungos e vírus, além do uso generalizado no tratamento de câncer de diversos tipos.


Pesquisas nacionais

Estudos desenvolvidos no Brasil vêm trazendo importantes resultados a partir da exploração do potencial industrial e biotecnológico das macroalgas. Um exemplo é a pesquisa com polissacarídeos sulfatados, do professor da UFRJ, Hugo Rocha. Essas moléculas têm emergido como uma importante classe de biopolímeros naturais com potenciais aplicações farmacológicas. Dentre estas moléculas, os polissacarídeos sulfatados de algas vermelhas têm sido extensivamente estudados, principalmente devido ao seu potencial anticoagulante, antitrombótico e antiinflamatório.

Em sua pesquisa, o professor estudou as fucanas A e B, que são famílias de polissacarídeos sulfatados extraídos principalmente de algas marrons e que demonstraram ser um poderoso anticoagulante. Uma das vantagens dessas fucanas é o menor risco de hemorragia, quando comparado com a heparina (poderoso anticoagulante).
30/07/2010
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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