Cana melhorada e mais produtiva |
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Esse alto percentual de participação da cana-de-açúcar mostra o elevado potencial que essa gramínea tem no mercado de combustíveis renováveis, entretanto essa condição favorável seria ainda melhor com o aumentando da sua eficiência produtiva, o que se consegue, principalmente, por meio do melhoramento genético. Para que se possa atingir esse objetivo é necessário conhecer melhor o material genético dessa espécie, tema que é alvo das pesquisas da professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Marie-Anne Van Sluys, que também é membro da coordenação do Programa de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN). A constatação dessa necessidade se deu a partir da comparação entre os dados sobre a eficiência produtiva do trigo e do milho, no período entre 1961 e 2010, e da cana-de-açúcar. Eles revelaram que as duas culturas tiveram nesse intervalo de tempo uma maior eficácia produtiva do que a cana, espécies consideradas aparentadas. Em entrevista dada à Agência FAPESP, a pesquisadora da USP comentou que uma das possíveis respostas que justificaria essa diferença, é a existência de programas de melhoramento assistido pela genômica para o trigo e milho, sendo estes, inexistentes para a cana-de-açúcar. A proposta, segundo ela, é a de construir um banco de dados contendo informações do genoma da cana-de-açúcar, possibilitando uma abordagem um pouco mais integrada, assim como se encontra o programa de melhoramento genético que é utilizado para o milho e trigo. A dificuldade da concretização desse projeto está na origem da cana que é cultiva, a qual é derivada do cruzamento da espécie Saccharum officinarum com a Saccharum espontaneum, ou seja, uma planta híbrida em que a contribuição genética das duas espécies é diferente. Como consequência, a variedade comercial é poliplóide e com um genoma contendo grande quantidade de repetições, tornando ainda mais difícil a construção do banco de dados. O objetivo principal do projeto é o de identificar novas formas para realizar a manipulação genética do metabolismo de energia de plantas cultivadas e quando o banco de dados da cana estiver concluído, será possível realizar a transgenia nos programas de melhoramento, destacou Marie-Anne.
09/08/2013
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG |
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