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Meganucleases eliminam herpes vírus

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De acordo com o National Human Genone Research Institute (NIH), “A edição do genoma é um método que permite aos cientistas alterar o DNA de muitos organismos, incluindo plantas, bactérias e animais. A edição do DNA pode levar a mudanças nas características físicas, como cor dos olhos e o risco de desenvolver doenças”. Para obterem os resultados esperados, os cientistas usam diferentes técnicas. “Essas tecnologias agem clivando o DNA em um ponto específico, papel desempenhado pelas chamadas enzimas de restrição, possibilitando aos cientistas remover, adicionar ou substituir fragmentos de DNA na região clivada.

Essa tecnologia foi aplicada por uma equipe de pesquisadores de doenças infecciosas do Fred Hutchinson Cancer Research Center, com o objetivo de avaliar a edição de genes do vírus herpes simplex latente 1 (HSV-1), em camundongos. Para tanto, foram utilizados vírus adeno-associados (AAV, sigla em inglês) como veículo, para introduzir meganucleases no núcleo das células, buscando desenvolver uma potencial terapia curativa para tratar a infecção latente por HSV. As enzimas meganucleases, são uma classe de endonucleases (enzimas de restrição) que se caracterizam pela capacidade de reconhecer sequências grandes e específicas de DNA, normalmente com mais de 14 pares de bases, e clivar (cortar) as fitas desse ácido nucleico.

O chamado herpes simplex, causado pelos herpes vírus tipo 1 e tipo 2, caracteriza – se pelo aparecimento de úlceras orais e genitais e herpes neonatal, posteriormente entrando em latência vitalícia nos neurônios sensoriais (gânglios da raiz trigêmeo e dorsal) e autônomos (gânglios cervicais superiores e pélvicos principais) do sistema nervoso periférico, podendo a qualquer momento, ser reativado.

No estudo publicado na edição de agosto (18) da revista científica Nature Communications, o grupo de pesquisadores do NIH, conseguiu comprovar que o uso da edição genética eliminou grande parte dos HSV, em fase latente, do organismo dos animais. As meganucleases usadas no estudo foram as específicas para HSV - HSV1m5, HSV1m8 e HSV1m4 -, cada qual com alvos gênicos diferentes.

Os animais infectados, agora com os vírus em fase de latência, foram tratados, inicialmente, com o vetor de entrega scAAV8, com as terapias de meganuclease única (m5 ou m8) ou meganuclease dupla (m5 + m8). Os resultados obtidos por meio da análise dos gânglios cervical superior e trigeminal (SCG e TG, siglas em inglês, respectivamente), um mês após o tratamento, mostraram que os camundongos que receberam uma única meganuclease (m5 ou m8) apresentaram baixos níveis de edição dos genes dos sítios-alvo de HSV.

Ao compararem SCG e o TG dos animais tratados com meganuclease única, com os dos animais controle, os resultados das análises mostraram que a redução dos HSV não foi significativa. Porém, ao receberem ambas as meganucleases (m5 + m8), a diminuição nas cargas de HSV foi significativa e detectável tanto em SCG, quanto em TG.

Com pelo menos 90% dos vírus eliminados, os pesquisadores acreditam que a terapia com edição genética é um caminho promissor para o tratamento das afecções pelo herpes simplex latente. 

14/09/2020
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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