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Método PRISM e drogas não oncológicas

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Na luta contra as diferentes classes de neoplasias, a ciência vem buscando desenvolver e aprimorar o diagnóstico, os tratamentos e os medicamentos, para oferecer maior qualidade de vida e, quando possível, a cura dos pacientes. Os elevados investimentos em tecnologia e em mão de obra qualificada, têm levado muitas vezes à descoberta de compostos com diferentes graus de eficácia, os quais podem ser de origem natural ou sintética.

Um fato que surpreendeu os pesquisadores do Broad Institute of MIT e Harvard and Dana-Farber Cancer Institute, foi que algumas substâncias encontradas em medicamentos não oncológicos podem ter ação sobre células tumorais. De acordo com os autores do artigo, publicado na revista Nature Cancer e intitulado, Discovering the anticancer potential of non-oncology drugs by systematic viability profiling, Todd Golub, MD, CSO e diretor do programa de câncer do Broad, e Charles A. Dana, pesquisador em genética de câncer humano na Dana-Farber e professor de pediatria na Harvard Medical School, há uma elevada perspectiva sobre a viabilidade de se redirecionar os medicamentos existentes para novas indicações clínicas.

Segundo os pesquisadores, é possível redirecionar medicamentos (tradução clínica), já comprovadamente seguros em humanos e que, à princípio, serviriam como ponto de partida para o desenvolvimento de novas classes de medicamentos – novas indicações clínicas –, assim como direcionar tais medicamentos para o desenvolvimento de novos fármacos, a partir da descoberta de alvos associados a esses medicamentos preexistentes. Eles comentaram também que “até o momento, a maioria das descobertas de redirecionamento oncológico tem sido acidental, pois a triagem sistemática e em escala de toda a farmacopeia não foi viável. De acordo com o artigo, “não se sabe até que ponto os medicamentos não oncológicos têm potencial como terapêutica futura para o câncer”.

Apesar da dificuldade encontrada, os pesquisadores descobriram que o ideal seria realizar um estudo envolvendo a triagem de muitos medicamentos (a maioria dos quais não são medicamentos oncológicos), em um grande painel de linhas celulares caracterizadas genomicamente para capturar a diversidade molecular do câncer humano.

Para isso, os pesquisadores utilizaram o método de código de barras PRISM - profiling relative inhibition simultaneously in mixtures -, por meio do qual as linhas celulares de câncer são marcadas com sequências únicas de DNA, permitindo assim que aquelas contendo o código de barras sejam reunidas com uma relativa abundância de código de barras, servindo como substituto para a viabilidade celular. De acordo com os dados publicados no artigo, com esse método, a equipe conseguiu examinar 578 linhas celulares aderentes, abrangendo 24 tipos de tumores.

Para tentar identificar quais drogas não oncológicas poderiam ser direcionadas para o tratamento de cânceres, os pesquisadores desenvolveram um PRISM de reaproveitamento de um conjunto de dados, como recurso em larga escala, contendo a atividade anticâncer de medicamentos não oncológicos. Com esse método, foi possível recuperar 49 compostos não oncológicos com biomarcadores seletivos e preditivos, associados a atividade anticâncer.

De acordo com as informações no artigo, os pesquisadores usaram 4.518 medicamentos contidos no sistema de reaproveitamento, tendo sido confirmado que a identidade e a pureza de todos os compostos são superiores a 75%. Desse total de medicamentos, 3.350 dos compostos (74%) são aprovados para uso clínico nos EUA ou na Europa ou estão em desenvolvimento clínico. Os 1.168 restantes (26%) são compostos com atividades conhecidas. A maioria dos compostos, 3.466 (77%), não estava relacionada à oncologia, com os demais compostos sendo quimioterápicos (2%) ou agentes oncológicos direcionados (21%), relataram os pesquisadores no artigo.

17/02/2020
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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