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Canabidiol no combate a bactérias

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Apesar de toda a polêmica que o uso da Cannabis sativa tem gerado na comunidade científica, resultados positivos vêm sendo obtidos a partir do seu uso no tratamento da epilepsia. De acordo ABE (Associação Brasileira de Epilepsia), C. sativa é uma planta que contém aproximadamente 60 compostos farmacologicamente ativos, sendo o canabidiol um destes componentes, tendo sido identificado em 1963 (Koppel, BS; Brust, JCM; Fife, T.). Esse princípio ativo não apresenta atividade psicoativa, além de ter baixa toxicidade e alta tolerância em seres humanos e animais (Jones, NA; Glyn, SE; Akiyama).

Além desse uso, um grupo de pesquisadores do Institute for Molecular Bioscience’s Centre for Superbug Solutions (IMB Superbug Solutions) da Universidade de Queensland, em colaboração com uma indústria biofarmacêutica australiana, vem realizando testes que mostraram a eficácia do canabidiol como um potente antibiótico. De acordo com informações divulgadas ao site Genetic Engineering Biotechnology News, os cientistas acreditam que se apenas uma parte das aplicações atribuídas à cannabis na saúde humana for comprovada, ela pode ser considerada uma das maiores plantas medicinais da história, porém são necessários ainda muitos testes.

De acordo a mais recente descoberta dos pesquisadores, um dos usos do canabidiol refere-se ao combate a bactérias patogênicas, tendo se mostrado eficaz na eliminação de diversas espécies Gram-positivas, incluindo aquelas sabidamente resistentes a outros antibióticos. Em relato ao mesmo site, os pesquisadores informaram sobre a descoberta de que esse composto químico é ativo contra bactérias que frequentemente são responsáveis por infecções graves, como Staphylococcus aureus- patógeno humano oportunista e frequentemente está associado a infecções adquiridas na comunidade e no ambiente hospitalar – e Streptococcus pneumoniae – principal agente etiológico de infecções respiratórias –, com uma potência semelhante à dos antibióticos estabelecidos, como vancomicina ou daptomicina.

Em entrevista ao site, o Mark Blaskovich, pesquisador sênior da Universidade de Queensland, comentou que "a partir dos efeitos anti-inflamatórios documentados do canabidiol, os dados de segurança existentes em humanos e o potencial para vias de entrega variadas, mostram um grande potencial para um novo e promissor antibiótico que vale a “pena ser investigado". Além disso, ele comentou que "a combinação de atividade antimicrobiana inerente e potencial para reduzir os danos causados pela resposta inflamatória às infecções, é particularmente atraente".

Segundo Blaskovich, “as equipes avaliaram a atividade antimicrobiana do canabidiol produzido sinteticamente, livre de impurezas que podem confundir resultados de testes biológicos obtidos com extratos de plantas”. Ele comentou que o princípio ativo foi testado em um conjunto de ensaios padrão antimicrobianos, começando com os de microdiluição em meio contra uma variedade de bactérias Gram-positivas aeróbicas e anaeróbicas, além de experimentos de teste Time Kill, de indução de resistência e disrupção de biofilme, juntamente com uma avaliação da atividade in vivo contra MRSA (Methicillin-resistant Staphylococcus aureus) em um modelo de infecção neutropênica da coxa de ratos”. Time Kill é uma metodologia in vitro que valia a ação microbicida e é usada para demonstrar a eficácia antimicrobiana de produtos. A atividade antimicrobiana é avaliada quantitativamente, mostrando a redução efetiva da população microbiana em função do tempo de contato.

O pesquisador ressaltou que a droga reteve suas atividades contra bactérias que se tornaram altamente resistentes a outros antibióticos comuns e que, sob condições de exposição prolongada que levam à resistência contra vancomicina ou daptomicina, o canabidiol não perdeu eficácia. Além disso, o canabidiol também foi eficaz na destruição de biofilmes, uma forma física de crescimento de bactérias que leva a infecções difíceis de tratar.

Ele comentou também que o canabidiol foi bastante eficaz na destruição de uma grande variedade de bactérias Gram-positivas (mas não Gram-negativas), com microdiluição em caldo MICs (Minimum Inhibitory Concentrations), semelhantes aos antibióticos clínicos, tais como a vancomicina e a daptomicina”. Além disso, eles constataram que a atividade foi mantida contra cepas resistentes de S. aureus (MRSA, VISA, VRSA), Streptococcus pneumoniae (MDR) e E. faecalis (VRE) e que o canabidiol mostrou atividade bactericida, apresentando baixos níveis de propensão para induzir resistência e atividade contra biofilmes de MRSA.

15/07/2019
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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