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Estudo contesta causas da Sindrome de Down

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Após cinco anos e pesquisas, um estudo realizado na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, levantou a hipótese de que as causas para as alterações físicas da Síndrome de Down podem ser muito mais complexas do que se imaginava. A pesquisa coloca em cheque uma teoria usada há mais de trinta anos para explicar a questão.

A Síndrome de Down é uma doença caracterizada por alterações físicas e mentais, que afeta um em cada 700 bebês nascidos em todo o mundo. Além disso, é a maior causa genética conhecida de retardamento mental e disfunções congênitas do coração.
 
As pessoas nascidas com estas características apresentam em seu código genético, a chamada trissomia do cromossomo 21, ou seja, ao invés de possuírem apenas duas cópias do cromossomo, os portadores da doença nascem com três cópias. Há casos, ainda, em que os portadores da doença nascem com duas cópias completas e apenas trechos da terceira cópia do cromossomo.    A teoria utilizada há décadas pregava que as causas das alterações físicas presentes em pessoas com síndrome de Down estava diretamente relacionadas a uma região específica do cromossomo 21, denominada DSCR (sigla para Região Crítica da Síndrome de Down, em inglês). Acreditava-se que a região, com 33 genes ativos, era a única responsável pela alterações físicas da doença.


Novos desafios

Segundo Roger Reeves, líder da equipe de pesquisa, os proponentes da antiga teoria ignoraram o fato de que nunca foram vistos casos em que apenas a DSCR estivesse triplicada. “A idéia simplista de que apenas uma pequena região em centenas de genes do cromossomo 21 afeta o desenvolvimento já não se sustenta”, diz Reeves. 

Agora, segundo o cientista, o que pode ser feito pelos cientistas é “parar, respirar fundo, aceitar que a Síndrome é complexa, e continuar em frente”. A pesquisa foi publicada na revista americana Science no final de outubro.

O que os pesquisadores americanos procuraram demonstrar foi que a região conhecida como DSCR não é a única responsável pelas características da doença. Para isso, a equipe produziu vários tipos de ratos, modificados geneticamente, para estudar suas características.

Em animais que possuíam três cópias apenas da região DSCR do cromossomo 21, as alterações observadas não coincidiam com aquelas da doença. “Os ratos não eram normais, mas também não possuíam a doença. Suas faces eram mais alongadas e finas que o normal, e as características da Síndrome são ossos mais curtos e largos que o padrão”, disse Reeves. 

Em outros ratos, preparados para possuir apenas duas cópias da região DCSR e três cópias do restante do cromossomo, os cientistas puderam observar as características da Síndrome.   Para medir os efeitos das alterações nos ratos, os pesquisadores utilizaram modelos matemáticos desenvolvidos para comparar os comprimentos, ângulos e posições dos ossos nos ratos e nas pessoas portadoras da Síndrome de Down.

“Para tratar dos problemas percebidos na Síndrome, é preciso entendermos o que está realmente acontecendo e em que fase do desenvolvimento isto ocorre”, diz Reeves. “Até pouco tempo, nunca imaginaríamos que poderíamos ‘tratar’ a doença. Agora, estamos encontrando ‘fitas’ genéticas nos ratos, nas quais problemas específicos podem ser modificados”, lembra o pesquisador, que também é professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Johns Hopkins.    Os cientistas agora pretendem trabalhar os modelos animais da pesquisa para estudar as células neurais precursoras dos sistemas nervosos afetados pela Síndrome, nas regiões da face, do coração e do sistema digestivo. O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional pela Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos.
02/11/2004
 

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