Angiotensinogênio como biomarcador |
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Os resultados obtidos nessa pesquisa foram publicados na revista Hypertension e no Journal of The American Society of Nephrology. De acordo com os estudos, ficou demonstrado que a análise dos níveis da glicoproteína angiotensinogênio, produzida nos rins e detectada na urina, pode ser uma forma de diagnóstico precoce da nefropatia diabética. Essa classe de proteína, produzida principalmente pelo fígado, é o substrato que compõe o sistema renina-angiotensina (SRA). O sistema renina-angiotensina-aldosterona é um dos principais meios de regulação do volume sanguíneo, e atua conjuntamente com o sistema da vasopressina. A nefropatia diabética é uma alteração nos vasos sanguíneos dos rins, que leva à perda de proteína por meio da urina. Nessa complicação, o órgão pode reduzir sua função lentamente, porém, de forma progressiva, até a paralisação total. Atualmente, o diagnóstico é feito pela análise de albumina na urina. No entanto, quando essa proteína é detectada nos testes, é sinal de que já existe lesão no tecido renal. Em entrevista à Agência FAPESP, o pesquisador comentou que o grupo acredita que a análise do angiotensinogênio renal na urina poderia ajudar a identificar o problema em um estágio mais inicial, quando há tempo do dano ser revertido. A partir dos ensaios pré-clínicos realizados com ratos, foi demonstrado que os hormônios masculinos ou andrógenos estimulam a atividade do sistema renina-angiotensina, contribuindo para o desenvolvimento da hipertensão e, consequentemente, da cardiopatia e da nefropatia hipertensiva. Com o objetivo de confirmar os resultados, foram realizados experimentos com ratos induzidos a desenvolver um quadro semelhante ao diabetes tipo 1, no qual o indivíduo é dependente de insulina por meio da injeção da estreptozotocina (STZ) – um antibiótico de natureza glicosamina-nitrosuréia, com propriedades tóxicas, isolada de Streptomyces achromogenes, a qual é captada pelas células β-pancreáticas através transportadores de glicose GLUT-2. A STZ age destruindo as células pancreáticas que produzem insulina, o que promoveu em alguns dias, o aumento da glicemia dos animais que participaram do experimento. Passadas doze semanas, os cientistas já puderam detectar a albumina na urina dos ratos. Após dividirem os animais nos grupos em machos controle – que não receberam injeção para induzir o diabetes – machos diabéticos, machos diabéticos tratados com flutamida (droga antiandrogênica), fêmeas controle, fêmeas diabéticas e fêmeas diabéticas tratadas com flutamida, os pesquisadores observaram que os níveis de albuminúria eram muito maiores nos machos do que nas fêmeas, sinal de que a doença estava progredindo mais rapidamente nos machos. Ao comparar os resultados das pesquisas sobre nefropatia hipertensiva e diabética, Dr. Ovidiu verificou que a flutamida – um antiandrogênico não esteroidal, – protegeu somente os machos contra a progressão da doença, mas não as fêmeas, demonstrando que o desenvolvimento dessas patologias ocorre por mecanismos diferentes. Uma outra diferença encontrada nos dois estudos foi a de que os andrógenos aumentaram os níveis de renina circulantes, entretanto, no caso do diabetes, é comum haver um nível baixo de renina plasmática, fato que foi confirmado nos grupos de ratos diabéticos. O SRA é composto pelo substrato angiotensinogênio, o qual é clivado pela renina, uma aspartil protease produzida pelo rim, liberando o decapeptídeo angiotensina l (AI). A enzima conversora de angiotensina (ECA), uma metaloprotease produzida pelas células endoteliais principalmente do pulmão, age sobre a AI excluindo dois amino ácidos da porção carboxi terminal, liberando o octapeptídeo angiotensina II (AII), um potente vasoconstritor. De acordo com informações do pesquisador à Agência FAPESP, não há influência apenas do sistema renina-angiotensina circulante ou endócrino, mas também de sistemas locais existentes em cada órgão. A partir daí os cientistas extraíram o tecido renal dos ratos para analisar a expressão gênica e verificar o nível de produção local das enzimas. Ficou constatado que, nos machos, a síntese de angiotensinogênio renal estava significativamente aumentada. Ao verificarem que havia uma forte correlação entre os níveis de angiotensinogênio renal dos ratos com os níveis de albuminúria, a equipe acredita que a maior produção de angiotensinogênio no rim leva a um nível maior de angiotensina-II local e isso induz a nefropatia e explica o aumento da albuminúria. Para os pesquisadores, é provável que o angiotensinogênio renal, possa revelar a nefropatia diabética antes que os níveis altos de albumina apareçam nos exames. Mesmo que a correlação tenha sido constatada apenas nos animais machos, o pesquisador acredita que o biomarcador possa ser usado para diagnosticar a doença em ambos os sexos, e que o fato do biomarcador não ter sido detectado nas fêmeas, provavelmente se deva ao fato de que elas tinham baixos níveis de albumina na urina. Esses resultados levam à necessidade de novos estudos com mulheres que apresentem maiores níveis de albuminúria, o que pode esclarecer se são necessários valores diferentes de angiotensinogênio, entre homens e mulheres, para o diagnóstico da nefropatia.
07/03/2014
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG |
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