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Proteína influencia adesão celular

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Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde  (OMS), no ano 2030, são esperados 27 milhões de casos incidentes de  câncer, com 17 milhões de mortes por essa doença e 75 milhões de pessoas que irão desenvolvê-la anualmente.

O câncer engloba  um conjunto de mais de cem doenças que se caracterizam pelo crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo.

Pela sua capacidade de se dividir rapidamente, estas células passam a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas. Uma outra forma de tumor é o chamado benigno, que é uma massa de células localizadas que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco de vida.

Intermináveis estudos e tentativas na busca pela cura do câncer vêm sendo feitas pela comunidade científica em todo o mundo, resultando em avanços consideráveis, tanto no diagnóstico, em alguns casos cada vez mais precoces, assim como no tratamento da doença.

A edição de dezembro de 2012 do The Journal of Biological Chemistry, traz o artigo com os resultados da pesquisa realizada pelos cientistas do Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemocentro) da Unicamp e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Sangue (INCT Sangue), a partir da qual foi descoberto o papel da proteína ARHGAP21 nos processos de adesão e migração celular.

O mecanismo de adesão entre as células e a presença do citoesqueleto desempenham papéis importantes, principalmente na diferenciação celular, desenvolvimento e migração.

Em  anos anteriores outros pesquisadores descobriram que essa proteína tem a função de regular o citoesqueleto – estrutura que mantém a forma das células e as junções celulares –, e as Rho-GTPases (GTPase da subfamília Rho), particularmente da Cdc42, a qual regula as vias de sinalização que controlam diversas funções celulares, incluindo a morfologia celular, a migração, a endocitose e a progressão do ciclo celular.

Os cientistas observaram que a ARHGAP21 se localiza no núcleo, no citoplasma e na região perinuclear, no entanto, ela é redistribuída de forma transitória nas junções que ocorrem entre as células.

A outra descoberta mostrou que as Rho-GTPases necessitam da ARHGAP21 durante a formação da adesão entre as células, e que ela participa desse processo quando localizada entre as junções celulares e, depois de quatro horas do final do processo essa proteína se afasta.

Durante um experimento que simulou in vitro a ocorrência de uma metástase, realizada por meio de uma técnica conhecida como transição epitelial-mesenquimal, foi observada a ação da ARHGAP21 na adesão e migração celulares

Os pesquisadores acreditavam que pelo fato dessa proteína ter um papel fundamental na adesão celular, se ela fosse retirada das células tumorais de um câncer de próstata utilizado nos testes, a sua capacidade de migração e consequentemente a metástase, seria maior do que em células cancerosas com a proteína. No entanto, quando os cientistas aplicaram frações do hormônio HGF (sigla em inglês para Fator de Crescimento do Hepatócito) nessas células, eles observaram que elas não migravam e portanto, não ocorria metástase.  

A partir desse resultado, os cientistas descobriram que a ARHGAP21 está localizada na via de sinalização do HGF das células e que ela regula a transição epitelial-mesenquimal. Sendo assim, a ausência da proteína na via de sinalização do HGF faz com que as células não consigam se separar umas das outras.

Em entrevista à Agência FAPESP, Barcellos esclareceu que é possível bloquear metástases induzidas por HGF por meio da inativação da ARHGAP21 em testes in vitro. Ele comentou também que a equipe ainda não sabe se é possível inativar essa proteína em humanos, porque ela deve exercer muitas outras funções, inclusive benéficas, nas células.

19/04/2013
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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