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Terapias regenerativas personalizadas

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Com o advento das células-tronco na chamada terapia celular ou regenerativa, foi possível para a medicina vislumbrar um futuro promissor para a grande demanda de reposição de órgãos, atendida atualmente pelos programas de transplantes. No entanto, a parcela de casos beneficiados ainda é muito baixo devido à escassez de doadores ou por causa da atual incapacidade de transplantes de certos órgãos e tecidos.

É dentro desse contexto que as células-tronco, que se caracterizam por terem proliferação prolongada e auto-renovação, capacidade de diferenciação clonal em diferentes linhagens e de repopular o tecido de origem danificado quando transplantadas, se apresentam como uma fonte potencialmente ilimitada de tecidos para transplante.

Uma recente pesquisa, desenvolvida por cientistas da Universidade de Wisconsin -Madison (EUA), e publicada na edição do dia 14 de março da revista Cell Reports, mostra pela primeira vez os resultados do transplante autólogo de células-tronco pluripotentes induzidas (sigla em inglês, iPSCs) neurais do macaco Rhesus, derivadas de células da pele dos animais. De acordo com o estudo, essas células tiveram uma sobrevivência de mais de seis meses e se diferenciaram em neurônios, astrócitos e oligodendrócitos mielinizantes em cérebros de macacos hemiparkisonianos induzidos por MPTP (1-methyl-4-phenyl-1,2,3,6-tetrahydropyridine) com a presença de células inflamatórias e células da glia reativas.

As células iPS foram convertidas à células progenitoras neurais que, nesse estágio intermediário, são capazes de se especializarem em neurônios e nas células gliais, as quais exercem funções de suporte e nutricional. A maturação das células ocorreu quando as mesmas já estavam transplantadas nos animais.

Em entrevista dada ao portal Science Daily, o neurocientista da Universidade W-Madison, Su-Chun Zhang, destacou como um dos pontos chave para o sucesso o controle preciso sobre o processo de desenvolvimento, ou seja, as células-tronco foram diferenciadas apenas em células neurais, pois do contrário, não funcionaria, no caso de transplante, com uma população de células contaminadas por células não neurais, afirmou o pesquisador.

Com o auxílio de anticorpos marcadores o cientista destacou como outro resultado positivo do transplante, a aparência normal e ausência de sinais de células cancerosas e a não detecção de divisão celular acelerada, fato que pode ocorrer nesses procedimentos com células-tronco.

A análise das células transplantadas, mostrou que estas tiveram bom amadurecimento, ao desenvolverem axônios longos e produzirem oligodendrócitos, que ajudam a formar a bainha de mielina, destacou Zhang.

As perspectivas para o desenvolvimento de terapias regenerativas personalizadas são muito boas, porém, de acordo com Zhang, muitos estudos ainda devem ser realizados e dúvidas sanadas, tais como as relacionadas aos possíveis efeitos colaterais, se o transplante soluciona os sintomas, entre outras.

22/03/2013
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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