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Vacina de RNAm contra influenza vírus

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Desde que a influenza se tornou uma pandemia que vem atingindo a população de quase todos os continentes, o homem busca uma vacina que seja realmente eficaz contra essa doença. No entanto, vários obstáculos vêm dificultando a ação das autoridades de saúde pública em todo o mundo. Dentre eles, talvez os que tenham a maior parcela de influência sejam as características ligadas ao vírus causador da doença, e ao tempo e forma de produção da vacina.

Existem três tipos de vírus, o influenza A, que tem vários subtipos, nomeados de acordo com as glicoproteínas de sua superfície, hemaglutininas (H) e neuraminidases (N), o B e  o C, que são específicos para seres humanos. O tipo A tende a ser específico para cada espécie por ser a hemaglutinina e outras proteínas específicas para as células receptoras do hospedeiro, no entanto, raramente o vírus de uma espécie infecta outra. As aves constituem os reservatórios de todos os subtipos de antigênicos conhecidos, com 16 hemaglutininas (H1-H16) e 9 neuraminidases (N1-N9). Além das aves, as cepas do vírus circulam em suínos, equinos e outros mamíferos.

Devido às mutações ocorridas durante a duplicação do RNA do vírus dentro da célula do hospedeiro, as proteínas do influenza sofrem muitas variações, deixando de serem reconhecidas pelos anticorpos, por isso, a necessidade de produzir novas vacinas todos os anos. O processo de produção da vacina é demorado, em torno de seis meses, sendo necessário levar em consideração a previsão de qual será a linhagem mais importante do vírus.

No intuito de superar essas dificuldades, o Instituto Friedrich-Loeffler e uma grande empresa farmacêutica, ambos sediados na Alemanha, uniram esforços para o desenvolvimento de uma nova vacina contra o vírus influenza, baseada no RNA mensageiro (RNAm). Os resultados foram publicados na edição online do dia vinte e cinco de novembro da Nature Biotechnology.

Para a produção da vacina são utilizados ovos embrionados de aves, pois o vírus que será inoculado no ser humano necessita de um ambiente estéril e favorável. Além de precisar manipular centenas de milhares de ovos dentro de um ambiente controlado e não contaminado, é necessário utilizá-los no período certo. Todo esse protocolo faz com que a produção da vacina seja trabalhosa e demorada.

A nova vacina, produzida a partir do RNAm, tem como princípio substituir a cultura em ovos de galinha, diminuindo significativamente o tempo de produção. Outra vantagem da vacina produzida com esse ácido nucléico é a velocidade, pois, uma vez dentro das células, o RNA seria rapidamente traduzido em proteínas antigênicas, além disso, ela poderá ser produzida em torno de seis semanas e em escala.

De acordo com os resultados mostrados no artigo, a eficácia dessa nova vacina é a mesma das tradicionais. Os testes com animais jovens e de idade mais avançada mostraram que o uso do RNAm induziu a uma imunidade equilibrada, de longo prazo e protetora contra o vírus influenza, assim como à resistência ao estresse térmico. Em animais como furões e suínos a vacina mostrou-se tão eficiente na indução de proteção imunológica, quanto a vacina já existente para porcos. Essas constatações validam esse tipo de vacina para o tratamento desse vírus.

07/12/2012
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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