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Fármaco brasileiro eficaz contra câncer

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Um fármaco desenvolvido por uma empresa brasileira em parceria com pesquisadores norte-americanos pode ser a nova esperança de milhares de pacientes acometidos por alguns tipos de doenças infecciosas como a tuberculose, e por certas espécies de câncer, como o de bexiga. Maiores detalhes sobre a pesquisa podem ser encontrados no artigo recém-publicado na edição do dia 18 de junho da revista Infectious Agents and Cancer.

Denominado de P-MAPA – Proteic - Magnesium Ammonium Phospholinoleate Anhydride , esse fármaco é classificado, a partir das suas propriedades biológicas, farmacológicas e terapêuticas, como um medicamento imunomodulador, ou seja, ele possui a propriedade de auxiliar no controle da atividade do sistema imune, através da produção de proteínas chamadas citoquinas. Essas moléculas protéicas são secretadas primariamente pelas células do sistema imune que estimulam a proliferação ou diferenciação de outras células, tendo também um importante papel na regulação da extensão e intensidade da resposta imune.

Durante os experimentos o P-MAPA demonstrou possuir valiosas propriedades biológicas quando utilizado em sistemas celulares, modelos animais e em estudos preliminares com seres humanos acometidos por vários processos patológicos.

O medicamento se mostrou capaz de estimular a proliferação de linfócitos T e de vários tipos de citoquinas, entre elas a Interleucina-2 (IL-2) e o Interferon-gama, incrementar a mielopoiese – processo de desenvolvimento das células granulocíticas a partir da UFC-G (unidade de colônias granulocíticas), restaurando a atividade NK celular quando defectiva ou bloqueada por processos infecciosos e neoplásicos – a ligar-se a receptores celulares do tipo toll (toll-like receptors) e também de estimular a diferenciação de células dendríticas a partir de monócitos do sangue periférico.

A ação imunomoduladora do P-MAPA, molécula criada pela rede de pesquisa brasileira a partir do fungo Aspergillus oryzae, foi constatada em estudos anteriores, entretanto, só nessa recente pesquisa que os mecanismos de atuação da droga foram descritos. Além de ativar os receptores toll-like existentes na membrana de células humanas, a droga foi capaz de modificar a expressão da proteína p-53, que acredita-se estar ligada à regulação dos receptores.  

Esses receptores têm a capacidade de reconhecer fragmentos de vírus e bactérias, assim como de fatores moleculares associados a tumores ou a doenças infecciosas, atuando especificamente sobre os subtipos 2 e 4 dos receptores toll-like, que podem estar ligados ao desenvolvimento do câncer de bexiga.

De acordo com informações do professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Wagner José Fávaro, à Agência FAPESP, ainda não se sabe com certeza se a resposta desencadeada pelos receptores é favorável ou desfavorável, podendo atuar como reguladores negativos ou positivos da carcinogênese. Entretanto, segundo Fávaro, os resultados das pesquisas indicam que a ativação dos receptores auxiliou na regressão do tumor.

O pesquisador esclareceu também que esses receptores podem auxiliar na redução tumoral de duas maneiras, seja inibindo a formação dos vasos sanguíneos que irrigam a região, ou recrutando células de defesa para atacar o tumor. Durante os experimentos, o P-MAPA provocou uma redução de 90% na incidência do tumor, fazendo com que as cobaias deixassem de apresentar lesões malignas e pré-malignas, passando a apresentar apenas lesões inflamatórias. Além dessa redução, o medicamento apresenta baixa ocorrência de efeitos adversos, de acordo com o cientista.

A parceria com a National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID) e com pesquisadores da Colorado State University, nos Estados Unidos, resultou em importantes pesquisas sobre os efeitos do P-MAPA no combate à tuberculose. Os experimentos foram realizados com colônias das bactérias que causam a doença, sobre as quais a droga foi aplicada, para verificar seu poder antibiótico.

De acordo com o cientista, os resultados mostraram que, ao ser comparado aos antibióticos normalmente usados no tratamento da tuberculose, ele não foi capaz de inibir o crescimento dos bacilos, no entanto, quando testado em animais, o imunomodulador se mostrou apto a reduzir significativamente as unidades formadoras de colônias. Quando usado isoladamente nos animais infectados com os bacilos, o P-MAPA reduziu em 28% a carga bacteriana, contra 40% do grupo que recebeu o tratamento com Moxifloxacin, no entanto, a associação dos dois aumentou a eficácia do imunomodulador para 38%, mantendo praticamente igual a ação do antibiótico.

Características como grande versatilidade e mínima toxicidade, mostradas durante as pesquisas, fazem do P-MAPA uma droga com um amplo espectro de possibilidades de uso terapêutico em processos infecciosos bacterianos e virais, quando debilitado o hospedeiro, e ainda no tratamento do câncer.

30/07/2012
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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