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Pesquisadores conseguem novos avanços no estudo do diabetes

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Cientistas espanhóis, em conjunto com pesquisadores alemães, anunciaram ter conseguido modificar células sangüíneas humanas em variedades hepáticas e pancreáticas. O estudo, liderado pelo pesquisador Bernat Soria, diretor do Instituto de Bioengenharia da Universidade Miguel Hernández, em Alicante (Espanha), pode abrir caminho para o desenvolvimento de uma cura definitiva para a doença no futuro.

Apresentada no Congresso Mundial de Transplantes mês passado, a pesquisa foi testada inicialmente em ratos. As células transplantadas foram capazes de produzir insulina e conseguiram suprir a necessidade de seus receptores    Em entrevista durante o XXVII Congresso de Medicina Interna, que aconteceu este mês em Granada, na Espanha, Soria pediu a todos que tratassem com cuidado do tema. Apesar dos bons resultados, o pesquisador fez questão de frisar que estes são apenas dados preliminares. 

Citoquinas

Para realizar a pesquisa, os cientistas modificaram células humanas sanguíneas denominadas Leucócitos Monócitos, células de defesa cuja função principal é absorver do sangue substâncias estranhas ao organismo. Através da utilização de citoquinas (fatores solúveis, elaborados principalmente pelas células do sistema imune) os cientistas puderam inibir as características originais dos monócitos, tornando-os mais fáceis de manipular.     Na etapa seguinte, os pesquisadores “reeducaram” estas células, “conseguindo diferencia-las em células muito parecidas com hepatócitos (células do fígado) e células produtoras de insulina”, disse o pesquisador. As células foram então injetadas em ratos que já possuíam diabetes e, nos animais, conseguiram com sucesso produzir insulina. O organismo dos animais, no entanto, rejeitou as células apenas uma semana após o transplante em função de se tratar de um xeno-transplante, ou seja, uma operação entre diferentes espécies.

Apesar de poder ser o prenúncio de uma cura, Soria e sua equipe devem aguardar ainda de três a quatro anos para que o experimento possa ser testado em humanos, em função das determinações legais para este tipo de pesquisa. Além disso, o pesquisador observou que as primeiras aplicações desta terapia deverão ser feitas em pacientes com doenças degenerativas, para as quais ainda não existe nenhum tipo de tratamento.    Pesquisas brasileiras

Na última semana foi realizado, em São Paulo, o XII Congresso Latino Americano de Diabetes. Entre as várias pesquisas apresentadas, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP procura desvendar que características genéticas da população brasileira podem influenciar o surgimento da diabetes tipo 2.

Somente no Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas sofrem de diabetes, das quais cerca de 80 a 90% possuem a diabetes do tipo 2. A análise genética permitiria realizar a identificação precoce do mal, possibilitando ações preventivas, como mudanças nos hábitos alimentares e monitoramento da saúde.     ''Ainda há um longo trabalho pela frente, porque a maioria dos genes que mostram suscetibilidade à doença em brasileiros ainda são desconhecidos'', afirma a endocrinologista Regina Moisés, que lidera o estudo.  
06/10/2004
 

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