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Células-tronco ajudam paraplégico

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A ciência brasileira tem mostrado um avanço significativo nas pesquisas com células-tronco em diferentes áreas da saúde. Dentre os resultados mais recentes desses estudos e que apresentou grande êxito, foi a utilização de células-tronco mesenquimais em um paciente que sofreu um trauma raquimedular. A lesão ocorreu após uma queda comprometendo a função da medula espinhal, que teve como conseqüência a perda da sensibilidade e dos movimentos de ambas as pernas. 

Células-tronco mesenquimais (CTMs, sigla em inglês), são células multipotentes que têm a capacidade de se diferenciar em uma variedade de tipos de células. Elas possuem uma grande capacidade de se diferenciarem, tanto in vitro quanto in vivo,  em osteoblastos, condrócitos, miócitos, adipócitos, e, como descrito recentemente,
em células beta das ilhotas pancreáticas.

O tratamento experimental, ao qual foi submetido um major da PM, foi desenvolvido por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz na Bahia (Fiocruz-BA), apoiada pelos hospitais Espanhol e São Rafael, ambos na Bahia, e por universidades baianas. A técnica consiste na aplicação de células-tronco mesenquimais, retiradas da medula óssea da bacia dos próprios pacientes, diretamente na região onde ocorreu o trauma. Esses procedimentos fazem parte de um projeto que visa a melhoria da qualidade de vida de pacientes que sofreram ruptura total da medula espinhal, ocasionado por traumas.

Apesar de ter readquirido a capacidade de andar, após nove anos de imobilidade, o major ainda precisa ser amparado por um andador e por uma órtese no tornozelo, devido a atrofia muscular sofrida em suas pernas. Em entrevista ao portal UOL Notícias, a fisioterapeuta e pesquisadora da Clínica de Atenção à Saúde (Casa), do Centro Universitário Estácio da Bahia (Estácio-FIB), onde o policial realiza as sessões de fisioterapia uma vez por dia, Claudia Bahia, explicou que o policial está passando por um trabalho de fortalecimento muscular, para que ele possa, futuramente, se sustentar em pé e andar sem a ajuda de aparelhos.

O procedimento com células-tronco mesenquimais teve início em 2005, sendo testado primeiramente em animais domésticos somente em 2007, apresentando diferentes graus de melhora.  O tratamento foi aplicado em mais cinco pacientes e outros 15 deverão recebê-lo também até o fim do primeiro semestre do ano que vem. De acordo com o que revelou o neurocirurgião Marcus Vinicius Mendonça ao mesmo portal, até o momento todos os pacientes tiveram algum nível de melhora, alguns deles na sensibilidade e outros na parte motora, sem nenhuma intercorrência médica.

Marcus Vinicius comentou ainda que depois que os 20 primeiros pacientes passarem pelo procedimento, serão colhidos os dados relativos aos testes para que sejam realizados mais estudos sobre o tratamento e que o período estimado de pesquisas é de cinco a dez anos.

04/11/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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