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Alteração no capsídeo enfraquece o HIV

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Desde a descoberta do vírus HIV (sigla em inglês para vírus da imunodeficiência humana), a evolução nos tratamentos para AIDS têm sido cada vez mais expressiva, refletindo no aumento da sobrevida dos pacientes e da sua qualidade de vida. Todas essas conquistas realizadas até os dias atuais são fortes indícios da possibilidade de se encontrar uma cura para essa doença.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, EUA, e publicado na edição online do dia 19 de setembro na revista Blood, mostrou que por meio de uma modificação na composição do capsídeo – cápsula que envolve os vírus – do HIV pode diminuir a sua capacidade de infecção.

O que os cientistas sabem é que a regulação e a eficácia da resposta contra a infecção viral das células T, está diretamente vinculada a um delicado equilíbrio entre sinais imunoestimulatórios e de imunossupressão mediado por células dendríticas e por outras células do tipo APC  (antigen-presenting cells).

As células dendríticas plasmocitóides (do inglês: Plasmacytoid dendritic cells-pDC), são uma população de células circulantes que expressam os receptores, TLR7e TLR9 (Toll-like receptor 7 e 9) e produzem grande quantidade de interferons – proteínas responsáveis pela sinalização da presença desses microrganismos – do tipo I (IFNα/β) em resposta a infecção viral. No momento em que as células do sistema imunológico reconhecem a presença do HIV, ocorre a liberação excessiva dessas substâncias, acarretando na diminuição do combate ao vírus.

Uma importante característica do HIV nesse processo é a sua grande capacidade de ativar as pDC, no entanto, quando esse processo ocorre de forma constante pelo vírus,  há o desenvolvimento da AIDS no organismo infectado.

Estudos anteriores mostraram que a diminuição da quantidade de colesterol presente nas células do sistema imune é um fator que possibilita a sua infecção pelo HIV. Entretanto, essa mesma substância lipídica está presente no capsídeo viral, levando os pesquisadores a testar se a extração dessa molécula poderia prejudicar a capacidade infecciosa do vírus, pois o colesterol é essencial para a manutenção da integridade do envoltório do HIV, permitindo sua interação com as células.

Para verficar o resultado dessa alteração de composição do capsídeo, os cientistas trataram o HIV com um produto químico capaz de remover o colesterol do invólucro viral. A retirada em diferentes graus desse lipídio produziu os vírions – vírus fora da célula – com capacidade reduzida de ativar as pDC.

O passo seguinte foi o de introduzir os vírus normais e aqueles com colesterol reduzido em placas de cultura, junto com células do sistema imunológico e medir a resposta das mesmas. As que ficaram expostas ao HIV com menor quantidade de colesterol, não liberaram  nenhum interferon, no entanto, as expostas aos vírus não alterados lançaram essa substância no meio.

Um outro teste realizado pelos cientistas em pacientes infectados, teve como objetivo observar as respostas imunes adaptativas que auxiliam o corpo a adquirir memória a alguns tipos de patógenos para que, a longo prazo, possa desenvolver imunidade aos mesmos.

Os resultados mostraram que a alteração nos vírus provocou o despertamento da resposta do sistema imunológico contra o HIV e da mesma forma, repeliu as suas propriedades imunossupressoras. Os dados demonstram que além do uso de vacinas, existem boas chances de serem desenvolvidas drogas que tenham como alvo o capsídeo viral, de forma a complementar outras terapias.

30/09/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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