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Pesquisadores brasileiros regeneram músculos cardíacos com células-tronco

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Pacientes que necessitavam de transplante recuperaram-se após novo tratamento

Uma equipe de cientistas brasileiros apresentou nessa última semana uma pesquisa inédita em todo o mundo: a utilização de células-tronco para regenerar os músculos cardíacos de um paciente. 

O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense em conjunto com médicos do Hospital Pró-Cardíaco e do Texas Heart Institute, nos Estados Unidos, pode abrir novos caminhos para o tratamento de pacientes que sofreram ataques cardíacos ou precisam de transplantes do coração.

Em um estudo anterior, os pesquisadores já haviam comprovado que o tratamento com células-tronco havia ajudado a vascularizar regiões afetadas do coração de pacientes com problemas cardíacos. A novidade neste caso foi a conversão destas células não só em tecido vascular como também em fibras do músculo do coração.

A pesquisa

Desde 2001 a equipe vem estudando os efeitos da utilização de células-tronco para o tratamento de doenças cardíacas. Para isso, os médicos selecionaram 21 pacientes, deixando sete no grupo de controle, ou seja, recebendo tratamento e medicamentos convencionais. Os outros pacientes receberam injeções de células-tronco retiradas da medula óssea.

Depois de 11 meses de tratamento, três dos pacientes, sendo um do grupo de controle, morreram.  Após autorização das famílias para a realização de necropsias, os pesquisadores puderam verificar “o aumento da vascularização na fibrose e no músculo cardíaco ao redor da área tratada 11 meses após o início do tratamento”, de acordo com comunicado do Pró-Cardíaco.

Pelo estudo, foi verificado que células-tronco injetadas no miocárdio (músculo cardíaco) dos pacientes converteram-se, transformando-se tanto em tecido vascular quanto em fibras musculares. Antes, não se sabia se elas eram capazes de modificar-se nos dois tipos de tecido ou se somente incentivavam uma maior vascularização do miocárdio.

As células, retiradas da medula óssea, são injetadas diretamente no coração dos pacientes, em locais que contenham tecido vascular e também músculos que sirvam de modelos para a adaptação das novas células-tronco.    Saúde recuperada    Além destes resultados, cinco pacientes que aguardavam transplante do coração foram submetidos ao tratamento com células-tronco. Eles obtiveram significativa melhora na capacidade de contração do músculo, e quatro deles não necessitam mais da operação.

Em função dos ótimos resultados apresentados pelos pesquisadores, o Ministério da Saúde pretende realizar uma reunião para discutir as novas possibilidades de tratamento com várias instituições do país. Apesar disso, a tendência é que os tratamentos continuem sem utilizar as células-tronco, pois os pesquisadores ainda não compreendem completamente o processo gerador dos benefícios.

"A realidade ainda é o transplante cardíaco. Mas acreditamos que, em dois ou três anos, seja factível trabalhar em larga escala", disse ontem o diretor do Pró-Cardíaco e coordenador da pesquisa, o médico Hans Fernando Dohmann.

Células-tronco

As células-tronco são aquelas que ainda não se "especializaram" em nenhuma função (como células de órgãos e tecidos) e, por isso, podem se transformar em outras células do organismo. Elas podem ser obtidas de três diferentes formas: à partir da medula óssea de um indivíduo, do sangue do cordão umbilical de recém nascidos e à partir de embriões fertilizados.

As células provenientes da medula óssea e do cordão umbilical podem se transformar em várias outras, mas não em todas as células do organismo (são chamadas de multipotentes). Segundo pesquisas científicas, esta tarefa só poderia ser feita pelas células-tronco embrionárias (chamadas totipotentes). Porém para obtê-las é preciso utilizar um embrião fertilizado.  
27/09/2004
 

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