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Cientistas identificam células-tronco causadoras da leucemia

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Estudo poderia levar, no futuro, ao desenvolvimento de novos tipos de tratamento

Pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, anunciaram ter encontrado as células-tronco responsáveis pela reposição de células cancerosas que provocam a leucemia misógena crônica. A descoberta foi publicada na edição de 12 de agosto da New England Journal of Medicine.

Leucemia é o nome dado a uma série alterações que ocorrem na produção das células do tecido sanguíneo. A medula óssea, responsável por produzir glóbulos brancos, vermelhos e outros componentes do sangue, e que possui grande concentração de células-tronco, passa a produzir um número anormal de glóbulos brancos (leucócitos), prejudicando o funcionamento normal do organismo.    Alvo errado    O tratamento atual contra a leucemia, a quimioterapia, combate indiscriminadamente todas as células cancerosas (destruindo a reserva destas células), mas sem se preocupar com a fonte delas. “Estávamos errando totalmente o alvo”, disse a hematóloga Catriona Jamieson, pesquisadora da Universidade de Stanford e líder da equipe de pesquisa.

Esta é a primeira vez que cientistas conseguem identificar quais as células sadias que acabam se transformando em células cancerosas, modificando-se de uma célula normal para uma célula-tronco defeituosa. 

Além disso, o trabalho atual é o primeiro a encontrar as células tronco responsáveis pela Leucemia Mieloblástica Crônica. Pesquisas anteriores já haviam descoberto células-tronco cancerosas da Leucemia Mieloblástica Aguda, câncer de mama e dois tipos de câncer cerebral.

A equipe de pesquisa, que envolveu também cientistas da Universidade de Toronto e da Califórnia, realizou um verdadeiro trabalho de detetives para identificar as células-tronco cancerosas. Para isso, os pesquisadores separaram as células cancerosas em vários grupos, divididos de acordo com as proteínas presentes em sua superfície.     Em seguida, cada grupo foi armazenado em meios de cultura separados para que os pesquisadores pudessem observar seu desenvolvimento. Após certo tempo, no entanto, apenas um dos grupos se mostrou capaz de renovar sua população, produzindo novas células-tronco e células cancerosas que se desenvolveram. Este era o grupo responsável pela leucemia, capaz de constantemente produzir novas células cancerosas.

Descobertas

Os pesquisadores examinaram as células-tronco cancerosas e descobriram que elas assemelham-se muito a células normais do sangue chamadas “células progenitoras de macrófagos e granulócitos”. Antes, a equipe imaginava que as células-tronco cancerosas eram provenientes de células-tronco sadias. O que o grupo de Jamieson descobriu, no entanto, é que estas células provêm de células adultas defeituosas, que adquirem a capacidade de se auto-reproduzir indefinidamente.

Outra revelação da equipe tem a ver com o desenvolvimento da Leucemia Mieloblástica Crônica. A maioria das pessoas com a doença possui uma mutação na qual os finais dos genes 9 e 22 são invertidos. Esta troca leva os genes a codificar duas diferentes proteínas em uma só, gerando uma proteína cancerosa chamada BRC-ABL. Em alguém com leucemia, todas as células do sangue possuem essa inversão nos cromossomos, mas somente as células progenitoras de macrófagos e granulócitos tornam-se cancerosas.    Uma diferença encontrada nas células-tronco cancerosas foi a abundante presença de uma proteína chamada beta-catenina em seu núcleo. Geralmente encontrada em células embrionárias, a proteína é responsável por mantê-las em constante processo de divisão. “Foi uma novidade encontrar este gene ativo em uma célula adulta”, disse Jamieson.    A Beta-catenina é parte de uma via impulsionada  por uma proteína chamada Wnt (pronuncia-se “wint”), que recentemente descobriu-se ter relação com a divisão das células. A Wnt (normalmente ativa apenas em células-tronco e células embrionárias) não é produzida pela maioria das células adultas, que podem dividir-se apenas um número limitado de vezes.     Trabalhando em parceria com pesquisadores, o grupo descobriu que, bloqueando a ação desta proteína nas células-tronco cancerosas, também é possível impedir que elas possam se auto-renovar. Desta forma, é possível combater as células adultas que acabam ativando a produção de Wnt, e que possuem grandes chances de se tornarem células-cancerosas. 

“Quando criarmos drogas capazes de inibir a produção destas proteínas, as terapias terão uma chance de realmente funcionar”, disse o Doutor em hematologia Irving Weissman, pesquisador da Universidade de Stanford e um dos colaboradores da pesquisa.  
16/08/2004
 

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