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Cientistas recuperam cérebro de roedores utilizando células-tronco

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Pesquisadores pretendem ainda verificar a recuperação das funções cerebrais nos ratos

Cientistas da Universidade de Stanford, na Califórnia, anunciaram ter conseguido, em roedores, repovoar regiões danificadas do cérebro utilizando células-tronco humanas. O estudo, publicado esta semana na revista norte-americana Proceedings of the National Academies of Science (PNAS), diz ser a primeira vez que o procedimento é realizado.

Segundo a pesquisa, células-tronco injetadas no córtex de ratos conseguiram deslocar-se e alojar-se na região afetada, desenvolvendo-se como neurônios. O experimento abre possibilidades para que, um dia, possam ser desenvolvidas novas terapias para tratar pacientes com apoplexia, AVC (acidente vascular cerebral) ou outros danos cerebrais. 

A apoplexia ocorre quando regiões do cérebro do indivíduo ficam muito tempo sem receber oxigênio e, por causa disso, sofrem danos irreparáveis, podendo causar até a perda do controle motor e da fala, por exemplo.

Normalmente, durante a vida de uma pessoa, as células-tronco cerebrais desenvolvem-se como neurônios, repondo as perdas. No entanto, após casos de derrame ou AVC estas células conseguem reparar apenas parte do dano, mas não recuperaram todo o tecido.

Para Gary Steinberg, principal autor do estudo, o resultado é animador, mas ainda é necessário pesquisar mais: “Não estamos anunciando que podemos tratar imediatamente os pacientes (de um AVC), mas trata-se de um grande avanço. Estas células nos dão um otimismo considerável", lembrou o neurocirurgião.

De acordo com o estudo, os cientistas observaram “a sobrevivência, migração e diferenciação de neuroesferas humanas derivadas de células-tronco implantadas no córtex de ratos 7 dias após a oclusão da artéria distal cerebral”.    Além disso, “as neuroesferas transplantadas sobreviveram ´robustamente` nos cérebros quatro semanas após o transplante, e o microambiente (do cérebro) influenciou sua migração e destino”.

O grupo de pesquisadores utilizou no experimento um tipo de célula-tronco fetal chamada neuroesfera, por apresentar bons resultados em relação àquelas retiradas de adultos. Apesar de também possuírem bons indicadores, as células-tronco embrionárias não foram utilizadas no estudo porque não existem nos EUA em quantidade suficiente para a pesquisa. 

Devido às imposições legais, o governo norte-americano não financia projetos com este tipo de célula. Já as neuroesferas utilizadas pela equipe de Steinberg não possuem legislação específica que proíba seu uso.     Para não haver perigo de rejeição das células-tronco transplantadas pelo organismo dos ratos, os cientistas utilizaram medicamentos imunossupressores. Com isso, removeram toda a capacidade de reação do sistema imunológico dos animais.

No estudo, não ficou determinado se as neuroesferas fetais conseguiram ajudar os ratos a recuperar as funções cerebrais perdidas pela lesão. O objetivo era apenas observar a migração e adaptação das células-tronco em neurônios.

Mesmo assim, a equipe dr Dr. Steinberg está otimista: “O próximo passo será demonstrar a existência de alguma recuperação”, concluiu. 

Novas experiências

Em uma nota, a StemCells Inc. empresa que forneceu as células para o experimento, informa que ainda há muito que se pesquisar e avaliar até que existam possibilidades de experimentar a técnica em humanos.

Apesar de a empresa possuir previsões de testes com pacientes já para o início do próximo ano, o próprio presidente da companhia, Martin McGlynn, adverte: “Continuamos encorajados pela performance das células em modelos animais, mas ainda há muitas questões a serem respondidas”.

“Nós temos que reconhecer que, neste estudo, as células humanas foram transplantadas entre diferentes espécies, na presença de um profundo trauma e com largas doses de imunossupressores”, conclui McGlynn.
02/08/2004
 

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