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Banco nacional de células-tronco é inaugurado no Reino Unido

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Centro de armazenagem britânico irá abrigar dezenas de milhares de linhagens no futuro

O Governo da Grã-Bretanha inaugurou, no dia 19 de maio, o Banco de Células-Tronco do Reino Unido, um instituto nacional criado apenas para armazenar diferentes linhagens de células-tronco. O órgão, financiado pelo governo, tem a intenção de se tornar o maior banco deste tipo no mundo, com dezenas de milhares de linhagens diferentes disponíveis para os pesquisadores britânicos.

O Banco pretende obter estas linhagens à partir de doações da comunidade científica britânica e de outros países, armazenando células retiradas de adultos, de fetos e também de embriões. Assim a centralização de informações de diferentes origens e linhagens facilitaria e agilizaria o trabalho dos pesquisadores.

O banco será administrado por um comitê formado por pesquisadores, membros da área de saúde e representantes de órgãos reguladores. O grupo deverá monitorar todas as atividades do órgão com o objetivo de produzir linhagens de alta qualidade.

 

Financiamento Público

Atualmente algumas empresas e órgãos de pesquisa privados mantém seus próprios bancos de células-tronco com a finalidade de desenvolver e manter linhagens de células suficientes para suas pesquisas. Criado com dinheiro do governo, o "UK Stem Cell Bank" é uma iniciativa pública, e fica instalado em Londres, na sede do Instituto Britânico de Padrões e Controles Biológicos (NIBSC, na sigla em inglês), um órgão do governo britânico.

"Nosso objetivo é facilitar o desenvolvimento de terapias com a utilização de células-tronco", afirma Stephen Inglês, diretor do NIBSC. "Temos que trabalhar juntos se queremos explorar ao máximo os tratamentos que este campo pode oferecer", continua.

Ao buscarem células-tronco para suas pesquisas, os cientistas atualmente recorrem diretamente uns aos outros e às empresas, tarefa muito mais trabalhosa que acessar um banco onde estas células já estejam disponíveis.

Enquanto vários países ainda discutem se a utilização deste tipo de célula deve ou não ser autorizado, o governo britânico, financiador do Banco de Células-Tronco do Reino Unido, é um dos mais flexíveis em relação à polêmica sobre a utilização destas células em pesquisas. Sua legislação, inclusive, não só permite sua utilização como autoriza a clonagem de embriões para obtenção de células-tronco.

Na cerimônia de inauguração do "UK Stem Cell Bank" cientistas depositaram as duas primeiras linhagens de células-tronco no banco. Todas as linhagens depositadas deverão ser reproduzidas (para que atinjam quantidade suficiente de células) e depois armazenadas para uma utilização futura.     

 

O uso das células tronco

A utilização de células-tronco embrionárias em pesquisas genéticas é um assunto polêmico, causador de inúmeras discussões na comunidade científica. Alguns cientistas defendem o uso irrestrito das células-tronco embrionárias em pesquisas genéticas, afirmando que elas podem ajudar muito no desenvolvimento de terapias e tratamentos de doenças cardíacas, o Mal de Alzheimer e a diabetes.

Outros pesquisadores e defensores da proibição afirmam que a prática é semelhante ao aborto, uma vez que se utilizam embriões fertilizados para obter estas células. 

Células-tronco são aquelas que ainda não se "especializaram" em nenhuma função (como células de órgãos e tecidos) e, por isso, podem se transformar em outras células do organismo. Elas podem ser obtidas de três diferentes formas: à partir da medula óssea de um indivíduo, do sangue do cordão umbilical de recém nascidos e à partir de embriões fertilizados.

As células provenientes da medula óssea e do cordão umbilical podem se transformar em várias outras, mas não em todas as células do organismo (são chamadas de multipotentes). Segundo pesquisas científicas, esta tarefa só poderia ser feita pelas células-tronco embrionárias (chamadas totipotentes). Porém para obtê-las é preciso utilizar um embrião fertilizado.

25/05/2004
 

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