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Brasil produz carreador de fármaco

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Um esforço conjunto de pesquisadores da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) possibilitou o desenvolvimento de uma nova geração de sistemas nanométricos, capazes de levar o medicamento até o local desejado no organismo do paciente.

Em entrevista à agência FAPESP o líder do estudo e professor do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, Antonio Cláudio Tedesco, explicou que administração das drogas é feita por meio de nanocarreadores. A novidade dessa pesquisa é que é a primeira vez que essa classe de carreadores leva drogas solúveis em água (hidrofílicas). O transporte de drogas hidrofílicas possui uma maior abrangência sobre o tecido-alvo, que no caso das hidrofóbicas é mais limitada.

O campo da nanotecnologia que trata da administração controlada de fármacos busca conhecer e desenvolver nanomedicamentos com carreadores com diâmetros entre 10 e 800nm. Das diversas classes de nanocarreadores, as nanopartículas poliméricas já estão sendo utilizadas em alguns produtos nanotecnológicos e comercializadas.     

Para a produção dos nanocarreadores foram utilizadas substâncias biocompatíveis, com o objetivo de minimizar possíveis problemas nas aplicações em humanos. Uma das características do produto desenvolvido é sua versatilidade, pois pode ser aplicado em diferentes partes do organismo, tais como a pele e as mucosas. Em relação à quantidade de princípio ativo transportado, essa classe de carreadores pode levar um volume bem menor, quando comparado aos medicamentos convencionais, possibilitando inclusive uma vantagem econômica. Devido a seletividade das nanopartículas, em relação ao alvo biológico, os efeitos colaterais nos pacientes são bastante reduzidos. 

Quanto ao mecanismo de liberação do medicamento no tecido alvo, as partículas nanométricas a fazem de forma controlada, evitando os picos de dosagem, típicos dos medicamentos convencionais. 

Esse projeto, que é coordenado pelo professor Tedesco, tem como foco principal o desenvolvimento de nanocarreadores de fármacos aplicados à doenças como o câncer, doenças degenerativas do sistema nervoso central, entre outros. Esse produto teve como origem o projeto de doutorado da pesquisadora e bioquímica-farmacêutica, Natália Neto Pereira Cerize.

Os primeiros testes com o produto foram realizados em laboratório para o tratamento de câncer de pele no formato de uma solução tópica aplicada na pele de modo que atingisse as células neoplásicas. Para estimular a ação do medicamento, foi utilizada a terapia fotodinâmica, que tem como princípio o uso da luz como disparador dos mecanismos de funcionamento dos princípios ativos. Expostas à luz, essas substâncias liberam radicais livres que ativam a morte celular programada (apoptose) das células-alvo.   

De acordo com Natália, uma das preocupações da equipe foi produzir um nanocarreador que pudesse ser fabricado em larga escala e com os equipamentos já existentes na indústria farmacêutica. O produto, que foi patenteado e apresentado na 2nd Conference Innovation in Drug Delivery, em Aix-en-Provence, na França, tem grande potencial, mas apesar disso, ainda há muito por fazer, antes de ser liberado para o mercado.

21/10/2010
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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