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Nanotecnologia brasileira na saúde

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No dia 1° de março foi inaugurado no Campus de Ribeirão Preto da Universidade São Paulo (USP) o primeiro Centro de Nanotecnologia e Engenharia Tecidual do Brasil, especificamente para o setor da saúde. Sob a coordenação do professor do Departamento de Química, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, USP (FFCLRP), Antonio Claudio Tedesco, o Centro promoverá o aumento da produção de medicamentos nanestruturados, a produção de pele artificial, além do desenvolvimento de pesquisas em diversas áreas da saúde.

O Centro, que ocupa um espaço de 200 m2, é especializado na produção de medicamentos nanoestruturados, indicados para o tratamento de câncer de pele com a aplicação com laser, os chamados fármacos fotoativados (fotoativação luminosa). Entretanto, são produzidos também outros fármacos com diferentes princípios ativos. O que diferencia esses medicamentos dos demais não são as moléculas ativas, que muitas vezes fazem parte de outras formulações, mas sim o veículo nanoestruturado utilizado para introduzir o remédio no organismo. Essa tecnologia possibilita atingir alvos específicos e com redução dos efeitos indesejáveis (colaterais).   

Outra especialidade do Centro é a produção de pele artificial, que até então, se concentrava nas mãos de algumas indústrias. O intuito é produzir esse tipo de pele em escala, para ser aplicada em tratamentos para a recuperação de queimados e problemas cicatriciais em geral. A meta é chegar a uma produção de 100 cm2/mês.

As pesquisas não se restringem ao desenvolvimento de fármacos nanoestruturados e de pele artificial. Por intermédio de parcerias com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), foi possível iniciar estudos em diferentes áreas da medicina, tais como, a ortopedia e a neurologia. Ainda na área dermatológica, os pesquisadores pretendem abranger diferentes especialidades, como por exemplo, o tratamento do câncer de pele em pacientes que sofreram transplante de rins, que se desenvolveu devido aos medicamentos ingeridos para evitar a rejeição.  

Novas terapias estão sendo desenvolvidas para lesões no nervo ciático, que utiliza uma técnica cirúrgica, já conhecida, de enxerto de veia com nanoesferas que liberam hormônios de crescimento que irão tratar essas lesões do nervo. Na área neurológica, já estão em andamento as pesquisas para o desenvolvimento de medicamentos nanoestruturados indicados ao tratamento do sistema nervoso central.  

Se depender do acordo firmado entre o Centro de Nanotecnologia e Engenharia Tecidual e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o meio ambiente também poderá se beneficiar com a nova tecnologia, pois já está em andamento a pesquisa para o desenvolvimento de bioinseticidas naturais de ação prolongada, tendo como alvos principais as larvas dos mosquitos da dengue e da malária.   

Os recursos destinados à construção e aquisição de equipamentos e ao desenvolvimento de pesquisas de novos fármacos e para a produção de pele artificial vieram do Ministério da Ciência e Tecnologia, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
30/04/2010
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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