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Remediação de mercúrio por bactéria GM

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A relação entre desenvolvimento industrial e crescimento urbano com o meio ambiente, é um tema que vem mobilizando chamando cada vez mais as comunidades científicas e órgãos governamentais a investir em pesquisas. Num contexto geral, o que vem sendo constatado é a ocorrência de um desequilíbrio, em que a natureza está sofrendo danos profundos e que podem, a longo prazo,  se tornarem irreversíveis.

Os diferentes tipos de contaminantes produzidos, principalmente, pelas indústrias e residências, atingem de forma abrangente todo o meio ambiente, mas principalmente a água e o solo, quando a captação e o tratamento da água são ineficientes ou mesmo inexistentes.

Na busca pela solução desses problemas ambientais, uma tecnologia conhecida como biorremediação, vem sendo amplamente utilizada nos últimos anos e tem apresentado resultados bastante promissores. A técnica consiste em um processo no qual organismos vivos, normalmente plantas ou microrganismos, na sua maioria bactérias, são utilizados para remover ou reduzir poluentes no ambiente. 

Para melhorar a eficiência de remedição de certos microrganismos, em relação a determinados contaminantes, alguns estudos vêm sendo realizados com o objetivo de desenvolver bactérias geneticamente modificadas. Em um deles, publicado no dia 12 de agosto no portal BMC Biotechnology, os pesquisadores relatam o desenvolvimento de um sistema transgênico que expressa as proteínas metalotioneína (mt-1) e polifosfato quinase (PPK), de forma a tornar esses organismos mais resistentes e com maior capacidade de acumulação de mercúrio. A mt-1 é uma proteína que apresenta a propriedade de ligação a metais, e por esta razão é bastante utilizada como biomarcador de poluição em ambientes expostos a metais.

A transformação das bactérias foi realizada por meio da construção de vetores transcricionais e translacionais para a expressão das duas proteínas, possibilitando altos níveis de transcrição dos transgenes. A síntese da mt-1 e da PPK prove às bactérias uma elevada resistência ao mercúrio, em concentrações acima de 80 e 120 microM, respectivamente.   

O estudo mostrou pela primeira vez que a metalotioneína pode ser expressa de forma eficiente em bactérias sem que seja necessária sua fusão a uma proteína carregadora, com o objetivo de melhorar a biorremediação. A partir dos resultados obtidos, os cientistas concluíram que o sistema transgênico desenvolvido na bactéria é uma tecnologia viável para remediar esse metal a partir de meios líquidos, já que faz com que esses microrganismos se tornem mais resistentes e com maior capacidade de acumulação de mercúrio.

16/09/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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