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Estados pretendem captar recursos através doscréditos de carbono

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No futuro, Brasil será um dos principais beneficiários do sistema

Os “créditos de carbono” estão se tornando, para alguns estados brasileiros, uma nova possibilidade de buscar investimentos do exterior. Paraná, São Paulo e Bahia já desenvolvem projetos que poderão, no futuro, conseguir certificação para serem comercializados junto a países e empresas estrangeiras.     

 

Seqüestro de Carbono

Pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previsto no protocolo de Quioto e elaborado pelo Brasil, países pobres podem contribuir com a redução de CO2 através da elaboração e execução destes projetos. Os países ricos, produtores de grandes quantidades de gás carbônico, entrariam com o financiamento, comprando os créditos de carbono.

Os projetos desenvolvidos pelas Secretarias do Meio Ambiente e Recursos Hídricos dos estados têm o mesmo foco de atuação: a recuperação e preservação de matas no entorno de corpos d’água, como rios e lagos. Locais atualmente destruídos ou parcialmente afetados pela ação do homem deverão ser reflorestados, conseguindo créditos por causa do “seqüestro” de gás carbônico da atmosfera.

No estado de São Paulo, os planos de recuperação da cobertura verde no entorno de rios e lagos deverão custar US$ 7,7 milhões, dinheiro que foi doado pelo GEF (Fundo Internacional para o Meio Ambiente), mas que o Estado pretende converter em créditos.

Mesmo assim, analistas observam que projetos de recuperação de matas não são muito atrativos para os países ricos, que só podem gastar 1% de seus créditos de carbono em sistemas florestais (o restante deverá ser gasto em projetos de redução de emissões).

Apesar disso, os números relacionados aos créditos de carbono no país são animadores. Em 2001, 10 milhões de toneladas de carbono foram negociadas, número que aumentou para 30 milhões em 2002 e que, no ano passado, atingiu a marca de 107 milhões. Até 2012, espera-se que US$550 milhões sejam negociados por ano no Brasil.

 

Protocolo de Quioto

Na realidade, os chamados créditos de carbono ainda não existem. Para que o projeto dos créditos de carbono entre em vigor, no entanto, o protocolo de Quioto precisa da assinatura dos Estados Unidos ou da Rússia, dois dos maiores produtores mundiais de CO2, que ainda não assinaram o acordo, atingindo a meta mínima 55 por cento de todo o CO2 produzido no planeta.

Quando isso acontecer, o protocolo estará ratificado, e os países pertencentes deverão cumprir as metas estabelecidas em 1997, quando o documento foi escrito. Uma delas define que de 2008 a 2012 os países pertencentes ao tratado deverão reduzir em 5% as emissões de CO2.

Ao invés de reduzir suas emissões (o que demandaria tempo, dinheiro e modificações em sua estrutura de produção industrial), no entanto, os países poderão “comprar” créditos equivalentes ao CO2 excedente. Esse “crédito” se dará através de projetos de redução da emissão em outras regiões do planeta, ao valor de um crédito por tonelada de gás produzido. 

Os “créditos de carbono”, portanto, serão incentivos fornecidos por empresas e países que servirão para colocar em prática ações de diminuição da emissão do gás. 

Nesse cenário, o Brasil, atualmente responsável por cerca de 3% de todas as emissões de CO2 do planeta, entra como um dos principais beneficiários. O país possui grandes possibilidades de elaborar e executar planos que concedam créditos, com a redução do CO2 gerado em indústrias ou através da absorção do gás pelo reflorestamento e recuperação de matas.

Seguradoras, investidores e bolsas de valores que percebem nos créditos a possibilidade de ganho em curto prazo já estão negociando os créditos, mesmo não havendo ainda a ratificação do protocolo de Quioto. Em novembro, a Rússia deverá oficializar sua posição e, caso seja positiva, o mercado de créditos de carbono estará aberto.

 

 

09/09/2004
 

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