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Tabaco transgênico controla toxina

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A Nicotiana tabacum, mais conhecida popularmente como tabaco, é uma planta que pode ser utilizada para diferentes finalidades, e mais comumente na produção de fumo, como cigarros, charutos, cachimbos, dentre outros. Dessa planta é extraída a nicotina, princípio ativo que está relacionado aos males do fumo. No entanto, e apesar da imagem negativa vinculada a esse vegetal, ela pode trazer alguns benefícios.

Em um estudo liderado pelo pesquisador do Centro de Infecção da Universidade de St. George's, Londres, Pascal M.W. Drake foram desenvolvidas plantas geneticamente modificadas de tabaco com objetivo de amenizar os efeitos danosos de uma toxina conhecida por microcistina-LR (MC-RL), muito encontrada na superfície de algumas lagoas. A toxina é liberada pela espécie cianobactéria Microcystis aeruginosa, sendo uma das encontradas com maior freqüência em reservatórios de água, podendo causar intoxicação. As informações sobre o estudo foram publicadas em um artigo na edição de março do periódico FASEB Journal.     

As plantas transgênicas criadas pelos cientistas têm a capacidade de expressar um anticorpo recombinante específico para a microcrocistina-LR. A sua criação foi realizada a partir da fusão genética das regiões de ligação do antígeno no anticorpo de cadeia simples específico (3A8) da toxina, com regiões do IgG1 , Guy’s 13 de roedores (murine monoclonal antibody, mAb Guy's 13).  

O controle dos transgenes da imunoblobulinas foi feito por um peptídeo líder que direcionará os produtos dessa classe de genes para uma via secretora, assim como permitirá a sua rizosecreção (sistema de produção de proteínas recombinantes em plantas, onde são utilizados promotores específicos de raízes). Isso significa que, as folhas das plantas transgênicas passaram a produzir os anticorpos e a secretá-los nas raízes, quando em contato com a toxina em meio hidropônico.
 
A análise dos anticorpos extraídos de folhas e das secreções das raízes mostrou que eles possuem uma ligação funcional com a toxina MC-LR. Nos experimentos de crescimento, os pesquisadores notaram também que, as plantas geneticamente modificadas tiveram maior crescimento, em meio contendo a toxina, quando comparadas com as espécies selvagens usadas como controle.

Diversas pesquisas vêm sendo desenvolvidas no intuito de minimizar os danos ambientais relacionados à presença da microcistina-LR, principalmente em reservatórios de água de consumo humano. Um texto publicado no dia 15 de janeiro pela Biotec AHG, fala sobre a criação de um biosensor, em forma de tira de papel impregnada de nanotubos, capaz de detectar a MC-RL na água. O projeto foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Michigam, EUA.
05/03/2010
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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