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Espécia chinesa ameaçada pelo Trifeniltin

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O esturjão chinês (Acipenser sinensis) tem habitado o Rio Yangtzé, na China, por 140 milhões de anos, tornando-se um dos peixes mais velhos do mundo. Apesar da favorável proliferação do esturjão de 450 quilogramas nestas águas, a exploração excessiva e a perda de áreas de desova às represas reduziram a população do peixe em aproximadamente 85% nos últimos 30 anos. A partir de 2007, somente cerca de 500 esturjãos desovados deixaram oYangtze.

Os cientistas chineses têm identificado agora uma ameaça nova: o trifeniltin (TPT), um biocida aplicado nos cascos de navio e às redes de pesca para impedir o acúmulo de algas e de outros “caroneiros” aquáticos. O TPT é lentamente lavado dos navios e acumulado em sedimentos no leito de águas. O cientista Hu Jianying, da Faculdade de Ciências Urbanas e Ambientais na Universidade de Pequim, China, e outros pesquisadores, relatam uma hipótese de correlação direta entre níveis de TPT na água e as deformidades encontradas no esturjão.

A equipe capturou mais de 1000 larvas do esturjão do rio Yangtze e registrou a incidência de mutações: 6,3% exibiram anomalias morfológicas, tais como medulas espinais deformadas, e 1,2% apresentaram somente uma estrutura ocular ou nenhuma. Além disso, quatro esturjões adultos foram capturados para a propagação artificial em um ambiente TPT-livre. Sua prole manteve uma concentração elevada de TPT e mostrou taxas de deformidades comparáveis a do esturjão selvagem, sugerindo que o produto químico é acumulado nos peixes e transmitido a seus ovos.

O grupo de pesquisadores expôs, ao trifeniltin, um peixe familiar próximo da espécie chinesa, o esturjão Siberian (Acipenser baerii), e encontrou taxas similares de deformidades em uma relação dose-dependente. Quando crescido em um ambiente TPT-livre, o esturjão apresentou somente uma taxa de 0,66% de deformidades morfológicas e nenhuma alteração dos olhos. Outros biocidas atuais no rio Yangtze e similares ao TPT- dibutiltin, monobutiltin, e tributiltin - conduziram a menos deformidades e não demostraram uma resposta dependente da dose.

O TPT parece influenciar também na capacidade de reprodução. A exposição ao TPT reduziu a habilidade reprodutiva do peixe japonês Medaka (latipes de Oryzias) em 75%. Visto que o esturjão chinês e o Medaka mostraram deformidades similares, quando expostos aos mesmos níveis de TPT, os cientistas acreditam que o químico age provavelmente reduzindo a fertilidade do esturjão selvagem.

Esses resultados, entretanto, podem ter vindo tarde demais. Os pesquisadores analisam que embora a população do esturjão possa ser sustentada em cativeiro e no posterior reabastecimento do rio Yangtze, uma proibição atual da utilização de Trifeniltin é ineficaz para corrigir o dano selvagem já existente, pois o produto presente em sedimentos é capaz de continuar a causar danos por muitos anos posteriores. Nesta semana do meio ambiente, a Biotec AHG aproveita a oportunidade para chamar a atenção pela preservação da natureza, o que cada vez mais exige medidas eficientes na devesa do planeta Terra.


09/06/2009
 

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