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Salmão GM pode ser um risco ecológico

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 O salmão, espécie pertencente à família dos salmonídeos e parente próximo da truta, é nativo das águas geladas da costa leste da América do Norte. No Canadá, por exemplo, existem diversas fazendas especializadas na criação de salmão e em outras espécies de peixes de água fria, ambos para fins comerciais. Devido à importância, não só mercadológica, do salmão muitas instituições de pesquisa vêm desenvolvendo vários estudos relacionados a diferentes aspectos da vida desses peixes.

Em um deles, pesquisadores da Universidade Memorial de Newfoundland, Canadá, avaliaram quais as possíveis consequências, em termos reprodutivos, da presença de peixes geneticamente modificados junto às espécies selvagens. Os resultados do estudo foram publicados na revista Evolutionary Applications.

O grupo de cientistas trabalhou com os chamados hormônios de crescimento do salmão transgênico do Atlântico. Esses animais têm um gene exógeno Chinook adicionado (chinook salmon – Oncorhynchus tshawytscha), ou gene do salmão rei, que acelera o crescimento.

No intuito de medir a capacidade dos machos transgênicos para completar, juntamente com os machos selvagens, a época reprodutiva, a equipe monitorou o comportamento de reprodução em laboratório, simulando as condições naturais. A partir daí, eles usaram a análise genética para determinar o sucesso de indivíduos concorrentes na produção de descendentes.

O resultado indicou que os animais transgênicos possuem plena capacidade de se reproduzirem, ou seja, de passar os seu genes para os descendentes.  Sendo essa, a questão que tem despertado maior preocupação dos cientistas, no caso de algum animal escapar do cativeiro e migrar para a natureza.

Nas entrevistas concedidas ao site Checkbiotech, as opiniões de diversos pesquisadores foram unânimes em dois aspectos, a de que o salmão GM tem alto valor comercial para o mercado, já que ele é  maior e tem um crescimento mais rápido em relação aos outros peixes da mesma espécie, e que medidas de prevenção devem ser tomadas para que não haja uma fuga em massa de animais do cativeiro, com o risco de um impacto ambiental na população de salmões selvagens.

Esse estudo fornece as primeiras observações empíricas sobre a capacidade reprodutiva natural do salmão geneticamente modificado do Atlântico. Apesar de os efeitos ecológicos e genéticos resultantes de uma fuga dos animais transgênicos permanecerem incertos, os resultados obtidos com esses experimentos destacam a importância de previnir a entrada dos peixes GM na natureza.

21/07/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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