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Identificação em código de barras

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Há séculos o homem vem buscando compreender com maior profundidade a biodiversidade que forma os diversos ecossistemas do planeta, seja para fins de preservação das espécies, ou por interesses comerciais, extraindo substâncias industrialmente importantes.

A descoberta de novas espécies, por exemplo, é um fato que deve ser do conhecimento de toda a comunidade científica e para isso, existem regras que regem a identificação e nomenclatura desses organismos, dos mais simples aos mais complexos, reunidas em uma ciência conhecida como taxonomia.

Durante centenas de anos essas regras vêm sendo e ainda são utilizadas para catalogar as espécies, mas uma nova ferramenta, o chamado DNA barcoding (Código de Barras do DNA), vem colaborando e aprimorando o processo de identificação de mamíferos, peixes, insetos, entre outros. Essa é uma técnica utilizada para a caracterização de espécies de organismos que utiliza uma seqüência curta de DNA a partir de uma posição padrão no genoma. Seqüências de código de barras de DNA são muito curtas em relação a todo o código genético e podem ser obtidas de forma razoavelmente rápida e barata. A região mitocondrial da subunidade 1 da Citocromo c Oxidase (COI) está emergindo como a região de código de barras padrão para animais superiores. São 648 pares de bases de nucleotídeos longos na maioria dos grupos, uma seqüência muito curta em relação a 3 bilhões de pares de bases no genoma humano, por exemplo.

Os pesquisadores brasileiros já estão se beneficiando dessa técnica, fato esse, que foi apresentado no 7º Simpósio do Programa BIOTA-FAPESP realizado em São Carlos (SP), quando foi divulgada a notícia de que a Rede de Pesquisa de Identificação Molecular da Biodiversidade Brasileira (BR-BoL) deverá catalogar cerca de 120 mil exemplares de 24 mil espécies em quatro anos. A importância dessa técnica para a ciência está no fato de que será possível estabelecer um padrão global para a identificação de espécies biológicas e assim aumentar o número de espécies conhecidas, que ainda é muito incipiente.

Com essa ferramenta em mãos, a rede, coordenada pelo pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, Cláudio Oliveira, que integra o projeto internacional Barcode of Life (“Código de Barras da Vida, ou iBOL, na sigla em inglês), além de colaborar com a base de dados Barcode of Life Data Systems (Bold, na sigla em inglês), pretende corrigir um erro taxonômico histórico.

Um estudo desenvolvido por Oliveira e sua equipe, foi apresentado por ele durante o evento realizado em conjunto com a 7ª Reunião de Avaliação do Programa BIOTA-FAPESP e a Reunião de Avaliação do BIOprospecTA, mostrando que o uso da técnica do DNA barcoding, ajudou a revelar que existiam dois nomes para uma única espécie de tainha. O artigo com os resultados foi publicado na revista Zootaxa.

Os pesquisadores desfizeram um equívoco em relação ao nome científico dado ao peixe de água salgada chamado popularmente de tainha. Após ter sito identificada no ano de 1836 em Maracaibo, Venezuela, e catalogada como Mugil liza, outra suposta espécie, a Mugil platanus foi identificada em 1880, em Buenos Aires, Argentina.

Devido a algumas diferenças morfológicas, achava-se que a tainha encontrada entre a Venezuela e a cidade de Cabo Frio (RJ) era a M. liza e dessa região até a Argentina, a espécie encontrada era a M. platanus. Essa informação foi corrigida a partir da análise genética que mostrou que, as diferenças eram devido a um polimorfismo ocasionado pela variação da temperatura da água. Do ponto de vista taxonômico, a diferença encontrada não tem validade, sendo assim, conclui-se que trata-se de uma única espécie distribuída no Oceano Atlântico em toda a América do Sul, descrita em 2010 com o nome verdadeiro de Mugil Liza.

15/07/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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