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Mutação benéfica em ovinos

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Atualmente, o Brasil conta com um rebanho ovino de mais de 16 milhões de animais, distribuídos por todo o país, porém, concentrados em grande número no estado do Rio Grande do Sul e na região nordeste.

No Rio Grande do Sul, a criação baseia-se em ovinos de raças de carne, laneiras (lã) e mistas, adaptadas ao clima subtropical. Já na região nordeste os ovinos pertencem a raças deslanadas, adaptadas ao clima tropical, que apresentam alta rusticidade e produzem carne e pele. Destaca-se também o crescimento da criação ovina nos Estados de São Paulo, Paraná e na região centro oeste, regiões de grande potencial para a produção da carne ovina.

Na ovinocultura de corte, bem como em outras explorações animais, a categoria das matrizes é a que mais apresenta influência sobre a eficiência do empreendimento. Por ser a categoria com maior número de animais durante todo o ano de exploração, é sobre ela que incide a maior parte dos custos do sistema. Por outro lado, para produzir carne é necessário produzir crias, para que estejam disponíveis para abate. Assim, a maior parte do bom desempenho produtivo de um rebanho de corte está em função da eficiência das matrizes, as quais devem apresentar boa fertilidade, facilidade de parto e boa habilidade materna, além de propiciar geneticamente boa capacidade de crescimento às suas crias.

É neste contexto, que a descoberta de pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF) e da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), se torna ainda mais significativa. Eles identificaram uma mutação genética natural em ovelhas da raça Santa Inês que está fortemente relacionada ao aumento da ovulação e da prolificidade. Essa mutação é conhecida como FecG-Embrapa, um alelo natural do gene GDF9 (Growth Differentiation Factor 9).

Esse fator, que é expresso nos oócitos, parece ser necessário para a ocorrência da foliculogênese ovariana. Ele desempenha um importante papel no desenvolvimento de folículos primários, no ovário, no crescimento de células da granulosa e da teca, assim como na diferenciação e maturação do oócito. Outra característica atribuída a esse fator é a sua ligação com diferenças observadas na taxa de ovulação e na cessação prematura da função do ovário, sendo dessa forma, importante na fertilidade.

A FecG-Embrapa, que foi identificada pelos cientistas após estudos com marcadores moleculares desenvolvidos desde 2004, ocorre naturalmente em ovelhas da raça Santa Inês fazendo com que elas tenham uma ovulação até 82% superior a outras que não possuem essa alteração. Além disso, esse aumento faz com que elas tenham 58% mais crias do que as ovelhas da mesma raça, sem esta variante. Os testes usam a essa tecnologia de identificação foram realizados com as ovelhas do Núcleo de Conservação de Ovinos Santa Inês da Embrapa Tabuleiros Costeiros.

Tais descobertas levaram os cientistas das duas unidades da Embrapa a desenvolverem uma metodologia, baseada em técnicas de biologia molecular, que possibilita a rápida e eficiente identificação da FecG-Embrapa, em qualquer rebanho ovino. Conhecida como genotipagem, ela permite a identificação da variante FecG-Embrapa em um exame de sangue comum.

 

Vantagens

O uso dessa tecnologia pode trazer diversos benefícios ao criador, tais como, a melhora na produtividade do rebanho, a partir do aumento do potencial de gestação e prolificidade das fêmeas. De acordo com o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Ricardo Figueiredo, em entrevista ao portal do Canal Rural, a aplicação da tecnologia aumenta a chance de gestações de gêmeos, já que esses animais são mono-ovulatórios, ou seja, só tem um filhote por gestação.

Um dos resultados esperados com a genotipagem desse alelo é melhorar os índices de produtividade – conseqüência do fraco desempenho reprodutivo – dos rebanhos brasileiros. O próximo passo será disponibilizar a técnica para o produtor.

06/05/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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