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Análise de DNA auxilia a taxonomia

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Com o rápido desenvolvimento tecnológico das mais diferentes áreas das ciências, torna-se cada vez mais comum a reformulação de antigas teorias, a descoberta de novas substâncias químicas ou novas espécies de animais e de vegetais.

Esse foi o caso da pesquisa realizada pelo zoólogo do Museu de História Natural de Smithsonian, (EUA). Carole Baldwin, principal autor do estudo que foi publicado na edição do dia três de fevereiro da revista ZooKeys e que teve como objetivo descrever os recentes resultados acerca das análises genéticas e morfológicas de peixes do gênero Starksia, encontradas na região ocidental do oceano  Atlântico.

Nesse artigo foram descritas algumas espécies, tais como a Starksia atlântica, a Starksia lepicoelia, e a Starksia sluiteri. A necessidade de realizar o estudo surgiu de incoerências existentes entre os dados genéticos encontrados inicialmente e a atual classificação das espécies. Foram fornecidos para a análise: fotografias dos animais vivos; pigmentos padrões, para auxiliar em futuras identificações de espécies a serem incluídas e diferentes características entre as Starkia do oeste do Atlântico. Outros aspectos como a distribuição geográfica das espécies e a concordância entre os dados do código de barras de DNA e do reconhecimento morfológico entre as espécies foram discutidos.

A utilização da tecnologia de código de barras do DNA, permitiu aos pesquisadores sequenciar 650 pb (pares de bases) de um segmento do gene mitocondrial COI (do inglês, cytochrome oxidase-c subunit I). Esse processo teve como objetivo reanalisar a diversidade das espécies encontradas no oeste do Atlântico Central. Por meio de técnicas de bioinformática, os pesquisadores construíram uma árvore filogenética, baseando-se em sequências de dados. O que evidenciou a existência de diversas espécies crípticas – grupo de espécies que satisfazem à definição biológica de espécie, isto é, são isoladas reprodutivamente entre si, mas são morfologicamente idênticas.

A partir dos resultados obtidos, os cientistas acreditam que Starksia atlântica, a Starksia lepicoelia, e a Starksia sluiteri são um complexo de espécies, e que cada uma é constituída por três ou mais espécies, contabilizando um total de sete novas descritas. Os pesquisadores constataram que existe uma incoerência entre os dados sobre a morfologia dos animais e as informações genéticas, sendo esse um dos fatos que motivou a pesquisa.

De acordo com o estudo, as linhagens genéticas Starksia, do oeste do Atlântico, possuem uma distribuição geográfica restrita. Dessa forma, os cientistas acreditam que se eles aumentarem a área de cobertura, para a amostragem, o número de espécies e de complexos de espécies também deverá aumentar. A vantagem de utilizar, concomitantemente, estudos moleculares e morfológicos tem esclarecido muitos aspectos relacionados à taxonomia de vários gêneros de peixes morfologicamente parecidos. Como conseqüência, o estudo permitirá a descrição de novas espécies.

03/03/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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