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Cresce número de clones no Brasil

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Desde a criação do primeiro clone bovino brasileiro em 2001, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o país vem vivenciando um grande avanço na área e um aumento expressivo dos investimentos. Fatores como a regulamentação por parte do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e o registro dos animais clonados pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Uberaba, foram decisivos para alavancar esse nicho de mercado.

A publicação de um artigo na revista Nature por Ian Wilmut e colaboradores, em fevereiro de 1997, demonstrou a possibilidade de produzir seres superiores clonados, ou seja, cópias exatas do ponto de vista genético. Nesse estudo ficou demonstrado que, a partir de uma célula somática diferenciada de um organismo adulto (no caso uma célula da mama), é possível produzir um novo ser geneticamente idêntico ao doador. Foi possível mostrar também que o núcleo de qualquer célula somática de um animal adulto pode ser reprogramado pelo citoplasma de um oócito – célula sexual feminina com metade dos cromossomas à qual se retira o material nuclear – transformando-a numa célula embrionária totipotente no desenvolvimento de um novo ser.

O princípio da técnica de clonagem, a qual ocorre em laboratórios, é relativamente simples. Do animal doador é coletado um oócito que passa por um período de amadurecimento de 24 horas. Após esse tempo, o núcleo genético dessa célula é retirado e substituído pela célula do animal a ser clonado. Em seguida, é feita a reconstrução do óvulo, que por meio de corrente elétrica, ocorre a fusão dos materiais. Passados sete dias, o embrião pode ser implantado nas vacas receptoras.

Apesar de toda a polêmica sobre o uso dessa técnica, alguns estudos vêm sendo desenvolvidos para avaliar a qualidade e a segurança dos produtos originados desses animais. O pioneiro deles, realizado nos EUA e no Japão em 2005, utilizou quatro vacas e um boi de corte clonados, e teve como objetivo analisar a carne e o leite. Nessa pesquisa, os cientistas descobriram que a carne e os produtos derivados do leite de animais clonados, usando a mesma tecnologia que criou a ovelha Dolly, estavam dentro dos padrões de qualidade exigidos pela indústria alimentícia.

Em entrevista à rede BBC Brasil, um dos autores da pesquisa, o cientista da Universidade de Connecticut, Jerry Yang, comentou que não foram encontradas diferenças entre os produtos provenientes dos animais clonados, quando comparados com aqueles originados dos animais de reprodução natural, sugerindo que esses produtos são seguros ao ser humano. Entretanto, é necessário lembrar que esse estudo foi apenas um início e que mais pesquisas são necessárias. Para ratificar esses dados, no final de 2006, o FDA – Food and Drug Administration - anunciou nos Estados Unidos, os resultados das suas pesquisas, mostrando que o consumo da carne e do leite de clones bovinos não é prejudicial ao homem.

O Brasil conta hoje com quatro laboratórios que prestam esse tipo de serviço, que apesar do custo elevado para os criadores, constitui uma ótima ferramenta de suporte para a conservação e melhoramento genético.

Mesmo com os bons resultados apresentados até o momento, o especialista em reprodução animal, Rodolfo Rumpf, destaca que ainda é necessário melhorar os índices de clonagem. De acordo com o pesquisador, a cada 100 embriões femininos, de um a cinco sobrevivem, já no caso dos touros, esse índice é um pouco melhor, ou seja, para a mesma quantidade de embriões sobrevivem entre 10 e 12 clones.

02/12/2010
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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