Logotipo Biotec AHG

Primeiro clone zebuíno é brasileiro

Imprimir .
O Brasil ostenta o título de pioneiro em clonagem bovina graças ao esforço da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (CENARGEN). A empresa é a pioneira no país a desenvolver clones bovinos, desde que no ano de 2001 deu origem ao primeiro clone bovino da América Latina, uma fêmea da raça Simental, chamada “Vitória da Embrapa”. Nos anos 2003 e 2005, respectivamente, foram clonados mais três animais, um da raça Holandesa, chamado, “Lenda da Embrapa”, desenvolvida a partir de células de um animal morto e os outros dois, “Porã” e “Potira”, clones da raça quase extinta Junqueira. Um detalhe bastante importante nesse processo é que todos os clones já procriaram, o que ratifica o seu bom potencial reprodutivo e habilidade materna.

Para comprovar o desenvolvimento do país na área de clonagem bovina, o consórcio entre a Brasif S/A e o CENARGEN desenvolveu e registrou o primeiro clone zebuíno do mundo, outorgado pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), com sede em Uberaba, MG. O animal, uma bezerra da raça nelore, chamada “Divisa Mata Velha TN 1”, nasceu no dia 1 de setembro desse ano e é clone da vaca Divisa Mata Velha (BR 1000).    

A  clonagem do animal foi realizado no laboratório de genética animal, Geneal, sediado na cidade de Uberaba, MG. A sua participação também faz parte da parceria entre o CENARGEN e a Brasif S/A. A empresa é especializada na área de biotecnologia da reprodução animal. 

Outro avanço conquistado pelo país nesse ano na área de clonagem animal foi a autorização dada pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), às associações de criadores, para o registro de animais clonados. Para tanto, leva-se em conta, por exemplo, a viabilidade dos gametas masculinos e femininos. Estudos comprovam que não há diferenças na variação da estabilidade genética entre os descendentes de animais clonados e não clonados.

O próximo passo da parceria Embrapa-Brasif é fazer com que o laboratório Geneal esteja capacitado para clonar animais em grande escala, em até cinco anos. Dois fatores, em especial, mostram o forte impacto que as tecnologias de reprodução animal têm sobre a cadeia produtiva de bovinos, que são a melhoria do rebanho, devido ao melhoramento genético animal, e o aumento da eficiência reprodutiva. Dentre as técnicas que mais afetam o setor produtivo, destaca-se a clonagem por transferência nuclear (TN). Essa técnica compreende as etapas de produção de citoplasmas receptores, reconstrução dos embriões e a ativação e desenvolvimento in vitro dos embriões.

Pesquisadores querem agora utilizar os clones nos programas de melhoramento genético animal, o que deve ocorrer em um curto espaço de tempo. A clonagem possibilitará, por exemplo, repor a perda de um animal de alto valor genético. Mais adiante, a intenção é a criação de Bancos de Conservação de Germoplasma Animal, pelas associações de criadores. Com eles, será possível garantir a variabilidade genética, uma grande preocupação relacionada à técnica de clonagem. A dúvida era se a variabilidade diminuiria com o seu uso.

De acordo com o estudo realizado pelo órgão norte-americano Food and Drug Administration – FDA, não há risco algum para a saúde humana em consumir a carne e o leite de animais clonados. Esse é mais um dos fatores que colabora com os esforços da Embrapa e com as suas empresas parceiras para a difusão e introdução da clonagem bovina no mercado brasileiro e, possivelmente, internacional.

 

11/12/2009
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

 © BIOTEC AHG 2017 - Todos os direitos reservados - Rua Dr. Melo Alves, 529, cj. 82. Cerqueira César. São Paulo-SP, Brasil. CEP: 01417-010