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Novas ferramentas para a genética bovina

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No dia 24 deste mês foram publicados na revista Science os resultados de uma pesquisa que durou seis anos e que envolveu 300 cientistas de 25 países. Dentre eles, 19 brasileiros contribuíram com o projeto. Esse consórcio internacional realizou o sequenciamento do genoma bovino e a montagem do mapa haplotípico bovino (Hapmap bovino). As informações obtidas a partir dessas duas importantes ferramentas possibilitarão a descoberta e a exploração de genes que expressam valiosas características de interesse econômico.

Pesquisadores do Baylor College of Medicine (BCM), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA – ARS) e da Universidade de Georgetown, lideraram o projeto de sequenciamento do genoma bovino. O Brasil foi representado por uma equipe de cientistas da Embrapa Recursos Genéticos, liderada pelo Dr. Alexandre Rodrigues Caetano, responsável pela anotação de genes envolvidos em processos reprodutivos e com o sistema imune. Essa equipe colaborou com pesquisadores de outras duas importantes instituições de pesquisa, também envolvidas no projeto, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e a Universidade Estadual Paulista (UNESP- Araçatuba e Assis).

O material genético coletado para o sequenciamento foi extraído de uma vaca da raça Hereford, de origem européia (Bos taurus). Esse material, mais as amostras de seqüências comparativas de outras seis raças bovinas, foram utilizados para desenvolver sondas para a análise de 37.470 polimorfismo de nucleotídeo único (single-nucleotide polymorphisms, SNPs), em uma amostra de 497 bovinos de 19 regiões geográficas.

A partir daí, os pesquisadores identificaram que o genoma bovino possui 22.000 genes, o que possibilitou várias descobertas com relação ao funcionamento de alguns genes relacionados a características de interesse zootécnico, como a lactação, o metabolismo e a digestão dos bovinos. Junto com o sequenciamento, foram identificados 35.000 marcadores SNP’s, que foram utilizados para montar o Hapmap bovino, permitindo descrever o nível de polimorfismo e diversidade genética de 17 raças de bovinos, como a Nelore, o Gir Leiteiro e outras duas raças de búfalo.

O mapa haplotípico bovino evidenciou que, em todas as raças analisadas o tamanho da população de animais vem, ao longo dos anos, diminuído de forma significativa e que as diferenças que ocorrem dentro de uma mesma raça, ou entre raças diferentes de bovinos, são altas. A montagem desse mapa contou com o trabalho de pesquisadores do BCM, do USDA-ARS e da Universidade de Missouri. No Brasil, participaram várias instituições, dentre elas a Embrapa, representada pelas unidades Gado de Corte, Gado de Leite e Recursos Genéticos e Biotecnologia, que realizaram os trabalhos de análise dos dados e interpretação dos resultados.

Segundo o pesquisador Alexandre Caetano, os resultados dessa pesquisa serão de grande valia para os programas de melhoramento e avaliação genética de bovinos, além de uma maior rapidez e eficiência na identificação de genes que afetam características produtivas ou que expressem doenças. Essas possibilidades se devem graças às novas ferramentas geradas pelo projeto. A bovinocultura brasileira será fortemente beneficiada por esses conhecimentos, que permitirão obter valiosas ferramentas biotecnológicas.

O pesquisador acrescenta ainda algumas vantagens que esses novos conhecimentos podem gerar, tais como a sua aplicação no melhoramento de características de medição tardia ou difícil, possibilitando selecionar os animais de maior capacidade produtiva, maior eficiência energética e com carne mais macia. Será possível também utilizar os SNP’s para a confirmação de paternidade, a identificação de animais e a rastreabilidade de produtos originados de bovinos.

30/04/2009
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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