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Controle da malária poderá ser feito por mosquitos transgênicos

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A malária é uma doença infecciosa que tem como agente transmissor o mosquito do gênero Anopheles que carrega o agente etiológico da doença, o protozoário unicelular do gênero Plasmodium. Existem várias formas de transmissão da doença, que pode ser através da picada do mosquito, de uma pessoa para outra por transfusão de sangue ou por compartilhamento de agulhas e seringas infectadas pelo protozoário.

A doença encontra-se nas regiões tropicais e subtropicais do planeta, concentrando-se na África SubSahariana com  cerca de 90% dos casos em todo o mundo, com cerca de um milhão de mortos por ano. No Brasil, a doença encontra-se na área endêmica conhecida como Amazônia Legal, a qual compreende os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

O parasita causador da malária passa por dois ciclos de vida, um no interior do mosquito e outro dentro do organismo humano. A fêmea do mosquito é que realiza a transmissão do parasita, pois ela necessita de sangue para se alimentar para o amadurecimento dos ovos e permitir a ovoposição. O segundo ciclo ocorre dentro do hospedeiro humano após ter sido infectado pelo mosquito, apresentando sintomas como anemia, falta de apetite, aumento do tamanho do fígado e do baço (hepatoesplenomegalia), fraqueza e distúrbios gastrointestinais também podem estar presentes.

Na luta contra essa doença, pesquisadores publicaram um artigo no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, relatando seus resultados nas pesquisas sobre a criação de um mosquito transgênico para tentar combater a malária. Os pesquisadores brasileiros Mauro T. Marrelli e Marcelo Jacobs-Lorena, juntamente com outros pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, introduziram o gene SM1 modificado em mosquitos do gênero Anopheles com o objetivo de conferir maior resistência à infecção pelo Plasmodium berghei.    A manifestação do transgene se dá pela produção do pepitídeo SM1 que inibe o desenvolvimento do Plasmodium em um estágio inicial dentro do mosquito, prevenindo a invasão do estômago e a ativação do sistema imunológico do mesmo. Para que possa completar o seu ciclo e ser transmitido para o hospedeiro humano, o parasita dentro do mosquito tem que passar por dois epitélios diferentes, o intestinal e o da glândula salivar. O inseto quando pica um animal para sugar seu sangue, injeta sua saliva com uma substância anticoagulante e é nesse momento que o parasita infecta o hospedeiro.

A proposta dos cientistas é de diminuir a capacidade vetorial do mosquito. Em experimentos realizados com ratos infectados e não infectados pelo parasita, os cientistas puderam constatar que quando alimentados com o sangue dos ratos infectados, os mosquitos transgênicos apresentaram maior fecundidade e menor mortalidade quando comparados aos mosquitos não transgênicos. Os cientistas acreditam que quando os mosquitos transgênicos forem introduzidos na natureza, eles poderão substituir gradativamente a população dos mosquitos normais diminuindo a transmissão da doença.

    
27/03/2007
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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