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Poodle - mais uma raça canina clonada

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Em 1996, a ovelha Dolly tornou-se o primeiro mamífero proveniente de uma clonagem. Uma equipa escocesa liderada por Ian Wilmut, trouxeram ao mundo um organismo desenvolvido pela engenharia genética a partir de células mamárias de uma ovelha. Deste experimento, inúmeros animais foram seguidamente clonados, entre eles ratos, coelhos, cavalos, bois, gatos, e inclusive o melhor amigo do homem, o cão. Porém, desde que a ovelha Dolly foi clonada há uma década, pouco tem avançado as clonagens em animais; as questões éticas, religiosas e as limitações tecnológicas, ainda são barreiras a serem transpostas.     A clonagem de animais tem aplicação para a conservação e melhoramento genéticos de muitas raças, sobretudo as de uso agropecuário. Associada à técnica de transgenia, a clonagem animal pode servir ainda para produzir nos animais transgênicos, substâncias que auxiliem no tratamento de doenças em humanos.

Segundo o Jornal Korea Times pesquisadores do Instituto de Medicina Veterinária da Universidade Nacional de Seul, liderado pelo professor Lee Byung-Chun, realizaram mais uma clonagem animal em 2006. Desta vez a cobaia foi um cachorro da raça poodle. Em agosto 2005, a mesma equipe da Universidade de Seul, clonou um cão da raça galgo afegão, a primeira raça oficialmente clonada, o nome dado ao animal foi de “Snuppy” (sigla formada a partir das palavras em inglêsSeoul National University Pupp y , ou seja, cachorro da Universidade Nacional de Seul). 

A mãe de Snuppy era uma cadela Labrador retriever amarela e seu filhote transportou exatamente o mesmo DNA de um galgo mais velho. Este galgo, seu pai, doou algumas células da sua orelha para que Snuppy fosse gerado. Em sua "invenção", Hwang extraiu 1.095 óvulos de mais de cem doadores e transferiu de 5 a 12 embriões em cada uma das 123 mães de aluguel. Dessas, apenas três engravidaram. 

Os núcleos dos óvulos foram removidos e substituídos pelo núcleo de uma célula da orelha do doador (célula somática). As células onde a fusão núcleo/citoplasma foi bem sucedida foram então implantadas em cadelas. O primeiro a nascer, de cesariana, e o único que sobreviveu foi Snuppy. A notícia do primeiro cão clonado no mundo foi considerada uma das notícias de destaque do ano, e teve forte repercussão científica.

O principal desafio quando se trata de clonagem canina reside na colheta dos óvulos. Segundo a equipe envolvida, os óvulos caninos saem do ovário numa etapa muito precoce do seu desenvolvimento e amadurecem à medida que se deslocam para o útero através dos ovidutos. O filhote de poodle fêmea, é o quinto clone de cão do mundo e o primeiro de outra raça diferente do Afghan hound, afirmou a equipe de cientistas. 

O objetivo destes trabalhos, segundo os mesmos, é possibilitar a futura criação de uma linha de cães que possam servir de modelos para certas doenças humanas. Em julho de 2006, a equipe do Professor Lee disse ter conseguido clonar duas fêmeas de lobo e enviou um artigo sobre a pesquisa para publicações científicas. Porém, o trabalho foi negado e o artigo rejeitado porque Lee trabalhou com o especialista em clonagem Hwang Woo-Suk.     Devido a descoberta de dados fraudulentos em suas pesquisas Hwang, que era uma referência internacional, vai ser julgado por fraude, peculato, quebra de ética e outras acusações. Não obstante, o ministro da Ciência e Tecnologia, Kim Woo-Sik, disse no início deste ano que os cientistas, na qual se encontra Lee, clonaram outros animais, além dos Afghan hounds e de lobos.

No Brasil, o primeiro mamífero clonado foi a bezerra Vitória, da raça Simental, fruto de experiência conduzida pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) no Campo Experimental Sucupira. O anúncio do nascimento da bezerra foi feito em março de 2001. Três clones bovinos da raça Nelore, resultado de estudos coordenados por pesquisadores da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP (Universidade de São Paulo), em Pirassununga, e da empresa de biotecnologias de reprodução bovina Vitrogen, foram apresentados ao público no início de 2005 (ver detalhes em nossos acervos). Segundo Rodolfo Rumpf, do programa de transgênicos da Embrapa, os experimentos de clonagem já incluem caprinos e ovinos e tem mostrado bons resultados.

  
06/03/2007
 

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