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Leite de cabras transgênicas pode virar medicamento

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A Universidade Estadual do Ceará está desenvolvendo a primeira proteína medicinal produzida por um animal transgênico com o suporte de R$ 600 mil a partir da Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio) via Banco do Nordeste. Apesar dos estudos se encontrarem em teste, a  inovação em termos biotecnológicos é grande e os resultados promissores. Os pesquisadores pretendem a partir dessas cabras transgênicas, coletar leite que produza uma proteína humana com valor terapêutico, como por exemplo, no uso contra a diarréia infantil. 

O veterinário e coordenador do projeto Vicente José de Figueiredo Freitas anunciou o nascimento de dois animais transgênicos e salientou que novos animais serão gerados. A questão é que apenas de 1% a 5% dos embriões resultam em animais transgênicos. “Um pequeno rebanho de cabras transgênicas produzindo esta proteína terapêutica no seu leite seria comparado a uma pequena biofábrica, e seria suficiente não só para as exigências do nosso país como poderia também se transformar num produto de exportação”, referiu Vicente Freitas.

O Laboratório de Fisiologia e Controle da Reprodução que pertence a Universidade Estadual do Ceará está cada vez mais interessado na produção de embriões caprinos por transferência nuclear, e cada vez mais os pesquisadores cearenses dominam a técnica de clonagem. Em parceria com a UFRJ e com especialistas russos, a pesquisa já produziu uma dezena de cabritos pelo método de microinjeção pró-nuclear e inovulação em receptoras. O que os pesquisadores tem como meta é a geração de uma cabra que produza, no leite, uma proteína para produção de medicamento de interesse em medicina humana, a hG-CSF (Fator Estimulante de Colônias de Granulócitos humano). 

O experimento dos cientistas pretende inserir nos animais o gene que produz a proteína hG-CSF, proteína esta, que ajuda na ação do sistema de defesa do organismo humano. O Brasil está importando grandes quantidades de hG-CSF, sendo 300 mg do medicamento compradas por cerca de US$ 100. A idéia é de que as cabras transgênicas brasileiras produzam junto com o leite essas proteínas e, depois as mesmas serão extraídas por processos industriais. A hG-CSF é muito utilizada em casos de imunodeficiência, na recuperação de pacientes após quimioterapia, transplante de medula óssea e em áreas lesionadas do miocárdio.

O leite desses animais que contém a proteína terapêutica, deverá então passar por processos de purificação e provavelmente só daqui a dez anos será usado comercialmente após todos os testes obrigatórios serem feitos. O leite produzido por cabras transgênicas é visto como um protetor de doenças intestinais, graças à sua ação anti-bacteriana e por isso, de grande potencial terapêutico. 

Cientistas da Universidade de Davis, Califórnia, obtiveram leite produzido por cabras transgênicas com uma enzima anti-bacteriana encontrada no leite humano. Os pesquisadores dessa instituição têm procurado formas de enriquecer o leite das vacas e cabras com algum composto benéfico encontrado no leite materno humano, como a lisozima. Quem sabe num futuro próximo, crianças no mundo inteiro sejam beneficiadas e com isso se consiga impedir o grande número de mortes em países pobres .

Cada vez mais cientistas buscam formas alternativas de produção em novos biorreatores. O uso de animais como biorreatores não é exclusivo só entre cabras. Atualmente a empresa holandesa Pharming pretende aproveitar tanto vacas como coelhas para obter drogas. Em busca de maior eficiência, os pesquisadores notaram que as glândulas mamárias de vacas, coelhas e cabras, entre outras, podem tornar-se "fábricas" ideais de proteína, devido à sua capacidade de produzir grandes quantidades de proteínas complexas. 

A Genzyme Transgenics (depois chamada GTC Biotherapeutics) na década de 90 começou a dar os primeiros passos. A GTC escolheu cabras porque elas se reproduzem com mais rapidez do que as vacas e podem produzir mais proteínas do que camundongos ou coelhos, e as glândulas mamárias porque não necessitam da atenção constante exigida pelas culturas de células. Com a falência de muitas empresas ligadas aos animais transgênicos é possível que a GTC se torne a líder no mercado mundial.

  
05/11/2006
 

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