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Universidade de São Paulo estuda genética de crocodilianos

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O Brasil é habitat natural de seis espécies de crocodilianos: Melanosuchus niger, Paleosuchus palpebrosus, Paleosuchus  trigonatus, Caiman crocodilus,  Caiman yacare e  Caiman latirostris e todas serão estudadas.

O Laboratório de Ecologia Animal e o Laboratório de Biotecnologia, ambos pertencentes a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” - ESALQ/USP vêm, de forma interdisciplinar coordenando esforços para contribuir com o estudo da biologia, manejo e conservação do jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris). Os estudos têm utilizado marcadores microssatélites desenvolvidos para (Alligator mississipiensis) e marcadores microssatélites específicos para Caiman latirostris que foram desenvolvidos e testados com sucesso em outras espécies de crocodilianos brasileiros. As atividades resultaram na implantação do teste de maternidade na colônia em cativeiro da espécie, em estudos de genética de populações selvagens na região de São Paulo e caracterização genética da espécie em pontos extremos de sua distribuição latitudinal no Brasil. No entanto, para as outras espécies de crocodilianos que habitam o nosso território, existe uma carência de estudos de caracterização genética e evolutiva.

O projeto financiado pela FAPESP e denominado de “Caracterização genética de crocodilianos brasileiros” é um projeto de Doutorado liderado pela aluna Priscilla Marqui Schmidt Villela, orientada pelo Dr. Luiz Lehmann Coutinho (Laboratório de Biotecnologia Animal) e Co-orientada pelo Dr. Luciano Martins Verdade (Laboratório de Ecologia Animal).

O primeiro primer desenvolvido para crocodilianos foi para Alligator mississipiensis para acesso da variabilidade genética desta espécie. No nosso caso, como explicou Villela à BIOTEC, construiu-se marcadores microssatélites específicos para a espécie Caiman latirostris pelo fato de apenas 4 primer de A. mississipiensis  amplificar e serem polimorficos para Caiman latirostris. Como o laboratório de Ecologia animal da ESALQ já trabalhar com o Jacaré de papo amarelo (C. latirostris) há muitos anos e um componente considerado crítico para o manejo bem sucedido de populações silvestres é a manutenção da variação genética. Foi construído estes primers no intuito de avaliar a magnitude e a distribuição da variabilidade genética existente em populações de Caiman latirostris.

Várias técnicas moleculares têm sido utilizadas em estudos evolutivos. Dentre estas técnicas o sequenciamento de DNA mitocondrial, aliado à análise de seqüências microsatélite, geram uma enorme quantidade de informações, potencialmente capazes de evidenciar a variação contida entre indivíduos. Esta variabilidade genética, além de importante para a evolução, pode ser usada como instrumento de investigação em diversos ramos como, por exemplo, para verificar afinidades e os limites entre as espécies, para detectar modos de reprodução e estrutura familiar, para estimar níveis de migração e dispersão nas populações e até mesmo para ajudar na identificação de restos animais e produtos industrializados (principalmente peles e carne). Sendo uma ferramenta excelente para ser utilizada em análise filogenética, diferenciação interespecífica e intraespecífica.    Os resultados obtidos servirão de base para reconstrução filogenética dessas espécies e para construção de um banco de dados para diferenciação das espécies com uma preocupação forense. Esta técnica poderá ser utilizada pelo IBAMA para controle de comercialização de carne e couro de jacaré, estimulando a comercialização legalizada do animal e punindo as fazendas de cultivo que são usadas para a legalização fraudulenta.

O fator limitante até o momento é conseguir capturar o número de animal necessário para análise da variabilidade genética, contou a doutoranda. Para análise filogenética existem muitos trabalhos, mas o que diferencia nosso trabalho dos demais é o enfoque (forense) que estamos dando, sublinha Vilella. 

Ainda não temos um controle de comercialização de carne de jacaré rigoroso no Brasil, pois é muito complicado quando existem espécies próximas cujo comércio é legalizado ou quando a espécie protegida pode ser comercializada se proveniente de cultivo, relata Villela. Nesses casos, as fazendas de cultivo podem ser usadas para a legalização fraudulenta das espécies protegidas. Às vezes, a identificação das peles pode ser feita pelo padrão de manchas e pelo seu relevo. No entanto, em outras situações, como na comercialização da carne, essa identificação não é tão simples, conclui a jovem pesquisadora.

   
08/10/2006
 

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