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ONU é favorável a transgênicos, mas faz advertências

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Documento anual propõe mais investimentos em alimentos para a população pobre

A FAO (Food and Agriculture Organization), divulgou nesta segunda-feira, dia 17 de maio, um relatório completo sobre a situação dos alimentos no planeta. De acordo com o documento, a biotecnologia é a grande promessa da agricultura para países em desenvolvimento, mas atualmente apenas alguns agricultores desses países estão aproveitando estes benefícios. No documento, a entidade aprova a utilização de transgênicos e afirma que a pesquisa com Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) traz benefícios para produtores de sementes, agricultores e consumidores em geral, e pode ser a solução para a alimentação mundial nos próximos anos. De acordo com a FAO, estes produtos podem ajudar a alimentar 2 bilhões a mais de pessoas nas próximas três décadas.    Por outro lado, o relatório alerta para o que chama de “negligência” dos interesses dos mais pobres por parte das indústrias e dos governos. A FAO afirma que “não há, no setor público e no privado, grandes pesquisas para acabar com os problemas críticos dos pobres ou visando lavouras e animais nos quais baseia-se a subsistência dessas populações.”

Alimentos básicos das populações pobres, como mandioca, batata, arroz e trigo recebem pouca atenção dos cientistas. Além disso, “o setor público e o privado não investe em novas tecnologias genéticas para certas plantas, como milho e ervilha, que são importantíssimas para o suprimento e a vida das pessoas mais pobres do mundo” disse o diretor-geral da FAO Jacques Diouf.     “Outras barreiras que impedem o acesso dos mais pobres aos benefícios da biotecnologia são leis de regulamentação inadequadas, mau funcionamento dos mercados e sistemas de distribuição de sementes, complexos procedimentos de patente intelectual e pequena capacidade de reprodução de espécies”, observou Diouf.

Enquanto os riscos e benefícios potenciais dos OGMs precisam ser observados caso a caso, a controvérsia em torno dos transgênicos também não deve desviar as atenções do potencial oferecido por outras aplicações da biotecnologia, como a genômica e as vacinas animais, afirmou a FAO.   
 
 
Discussões acirradas

O relatório da FAO foi produzido em um momento crucial na discussão sobre organismos geneticamente modificados em todo o mundo, apenas alguns dias após a gigante do setor agroquímico Monsanto anunciar que vai deixar de produzir o trigo transgênico Roundup Ready, por causa da rejeição dos consumidores.    Enquanto isso, a polêmica aumenta com a liberação da venda de milho transgênico pela União Européia (EU). Pelos próximos dez anos, a venda do produto será permitida, desde que o produto seja identificado como transgênico. A decisão acirrou ainda mais os ânimos dos ambientalistas. Por enquanto, apenas a venda deste milho é permitida, não o plantio.

A FAO diz, em seu relatório, que apesar da rejeição dos países europeus ao plantio e comercialização de produtos transgênicos, nos países em desenvolvimento a aceitação a estes produtos é bem maior. Para isso, apresenta pesquisas em que a maioria dos entrevistados na Índia, Colômbia e Nigéria acreditam mais nos benefícios do que nos riscos dos transgênicos.

Os oponentes afirmam que a utilização de OGMs na agricultura ainda possui muitos aspectos desconhecidos e que isso pode representar riscos à saúde e ao meio ambiente. Além disso, enfatizam que os únicos beneficiados deste processo são as grandes empresas multinacionais que desenvolvem e vendem sementes aos produtores.

Quanto a isso, a FAO diz que os cientistas “geralmente” concordam que os alimentos derivados de plantas transgênicas são seguras para se alimentar, “mas que pouco se sabe sobre seus efeitos em longo prazo”. Em relação ao meio ambiente, o aviso é de que “existe pouco consenso sobre os efeitos destes produtos, e deve haver uma preocupação com sua segurança anterior à sua liberação. Além disso, o monitoramento de seus efeitos após o plantio é essencial”.  


 
Dinheiro e Investimentos

De acordo com o relatório, não são apenas os grandes produtores de sementes que se beneficiam com os transgênicos. Para a fundação, “lavouras transgênicas trouxeram largos benefícios econômicos nos últimos sete anos, trazendo benefícios para a indústria, agricultores e consumidores de forma bem distribuída”.

Apesar disso, a produção destes produtos no mundo ainda é restrita a apenas alguns países. “Um dos fatores para isso é a falta de capacidade de pesquisa agrícola , especialmente em desenvolvimento de animais e vegetais”, diz a FAO. Assim, o domínio das pesquisas em biotecnologia acaba nas mãos do setor privado. 

Atualmente, as dez maiores empresas privadas do ramo gastam mais de US$3 bilhões em pesquisa. Brasil, China e Índia, os países que mais possuem investimentos públicos nessa área, gastam juntos menos de US$500 milhões em pesquisa.    O relatório lembrou, ainda, da concentração da produção mundial em produtos e países, pois apenas quatro produtos - soja, pâina, algodão BT e canola-, e seis países -Brasil, Argentina, Estados Unidos, Canadá, China e África do Sul- respondem por 99% da produção mundial de transgênicos.
 
18/05/2004
 

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