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Variedades de milhos OGMs aprovadas pela CTNBio

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Restando apenas a autorização do Ministério da Agricultura, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) acaba de aprovar o uso comercial de quatro variedades de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), no Brasil. Dois deles são de milho, que se juntam a outros três já em uso. As variedades, chamadas de Roundup Ready 2, da Monsanto e da Syngenta AG's (SYT) GA21, são resistentes ao glifosato, um herbicida não seletivo, amplamente usado em campos de cultivo.

Apesar da boa notícia para os que são favoráveis aos OGMs e aos que cultivam milho geneticamente modificado, o País ainda encontra-se em desvantagem em relação a outros. Alguns países, como a Espanha, a França, os EUA e a Argentina, já cultivam milho transgênico há uma década. Devido a isso, ganham vantagem em relação à produção e à comercialização dos milhos geneticamente modificados, se comparados ao Brasil. Mesmo assim, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho, Odacir Klein, é para os agricultores nacionais que a notícia vem em boa hora.

O Brasil tem duas colheitas de milho por ano. A primeira ocorre entre setembro e dezembro, enquanto que a segunda acontece entre dezembro e janeiro. Para Paulo Molinari, analista de grãos, os agricultores devem plantar somente de 4% a 5% de milho geneticamente modificado no primeiro plantio, mas o número deve subir para 50% no segundo. Esse baixo número inicial deve-se, sobretudo, à falta de oferta de sementes de milho geneticamente modificadas, visto que a maioria dos plantadores de milho já sabem que as sementes transgênicas são resistentes às pragas e aos insetos e reduzem significativamente os prejuízos na lavoura. Para as empresas de agronegócio, espera-se que a resposta dos agricultores seja mais rápida do que o processo de aprovação das variedades transgênicas.

O porta-voz da Syngenta, Medard Schoenmaeckers, também vê com bons olhos essa evolução brasileira, rumo a novas variedades de OGMs, tornando-se um país de destaque na América do Sul. A Empresa pretende expandir sua atuação com produtos transgênicos de milho e de soja no Brasil. Vale lembrar, todavia, que a Syngenta enfrentou invasões no centro de testes, no estado do Paraná, pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Grupos como o MST e o Greenpeace têm feito campanhas contrárias ao uso de sementes geneticamente modificadas. As vozes contra os transgênicos alegam que a CTNBio não realizou uma investigação científica adequada sobre o impacto dessas cultivares.

Para a diretora-executiva do Centro de Informação em Biotecnologia, Alda Layer, “a agricultura brasileira tende a crescer, não só pelas vantagens proporcionadas pelas sementes GM, mas também por nossa abundância de água e de terras agricultáveis”. Na entrevista concedida ao Portal Biotec AHG (consultar nosso acervo), Alda sublinha que a CTNBio trabalha para reduzir o tempo de espera para a liberação de pesquisas e de experimentos com organismos geneticamente modificados. Segundo ela, “no Brasil, várias instituições públicas e privadas têm avançado na pesquisa científica de vegetais geneticamente modificados e, assim, chegado a resultados excelentes, como o feijão resistente ao vírus do mosaico dourado, considerado a pior praga da cultura na América do Sul, e o eucalipto GM, que poderá produzir mais biomassa”.
02/10/2008
 

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