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Análise genômico-fisiológica da cana

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Aproveitando o enorme potencial que o país possui no setor agrícola e o alto nível produtivo e tecnológico alcançado na produção de biocombustíveis, com destaque para o bioetanol de cana, cientistas e institutos de pesquisa brasileiros vêm empregando grandes esforços e investimentos no estudo dessa espécie.

Projetos como o BIOEN, da FAPESP, têm colaborado grandemente com o desenvolvimento do setor de bioenergia em nosso país. Um dos mais recentes estudos sobre esse tema, publicado na edição de fevereiro do Plant Biotechnology Journal, revela a importante confirmação realizada pelos pesquisadores envolvidos nesse projeto, a de que os genes associados ao teor de sacarose apresentam alterações de acordo com o potencial de rendimento de biomassa da planta.

A biomassa, do ponto de vista da geração de energia, abrange os restos de organismos utilizados como combustíveis ou para a sua produção. Do ponto de vista da ecologia, é a quantidade total de matéria viva existente num ecossistema ou numa população animal ou vegetal. Os dois conceitos estão, portanto, interligados, embora sejam diferentes.

Em entrevista à Agência FAPESP a professora do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação do BIOEN-FAPESP, Glaucia Mendes de Souza, destacou um dos pontos principais do artigo, que foi o fato de ter sido a primeira vez que se reuniu em um mesmo estudo dados de fisiologia e  genômica funcional, aliados a informações tecnológicas relativas à cultivares de cana-de-açúcar.

O artigo deixa claro a necessidade de uma maior atenção ao estudo sobre a produção de culturas específicas para a produção de bioenergia e aumento da biomassa, no intuito de aumentar o volume de produção de biocombustíveis, preferencialmente o bioetanol. Ele aponta também as principais características de uma cultura voltada para a produção desse tipo de energia, tais como o alto rendimento da colheita, o rápido crescimento, o baixo teor de lignina e um uso relativamente menor de insumos para o seu crescimento e colheita.

A pesquisa baseou-se em informações anteriores sobre os genes da cana relacionados ao teor de sacarose, biomassa e o metabolismo da parede celular e a caracterização fisiológica de diversas cultivares que contrastam entre si no que diz respeito ao teor de açúcar e a produção de biomassa. De acordo com a cientista, nessa pesquisa é levado em consideração também o cálculo do potencial de rendimento, além de confirmar a alteração ocorrida nos genes, das cultivares comerciais, associados ao teor de sacarose.

O resultado desse estudo revelou que as plantas de alto rendimento acumulam sacarose mais precocemente no decorrer do ano. Todas essas importantes informações despertaram grande interesse para pesquisadores da área, mas principalmente das indústrias.

03/06/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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