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Brasil e EUA discutem sobre etanol

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A agência FAPESP promoveu no último dia dez, em sua sede, o BIOEN Workshop on Process for Ethanol Production¸ evento que reuniu pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos para discutir o presente e o futuro das pesquisas da produção do etanol de segunda geração, de bioenergia, demandas tecnológicas e processos produtivos para a produção do biocombustível.

As “tecnologias de segunda geração”, aplicadas à produção de biocombustíveis, são processos produtivos que têm como objetivo criar alternativas para o uso energético da biomassa de forma eficiente e sustentável. A legislação norte-americana sobre energia, por exemplo, estabelece os limites para o uso do etanol produzido a partir do milho pela tecnologia convencional. Essa lei prevê também a introdução gradual desse combustível, produzido pelas “tecnologias avançadas” e de “segunda geração”, no mercado dos EUA.

Em meio às questões produtivas, comerciais, de meio ambiente e de segurança, foi dado um grande destaque para a diversificação da matéria-prima de baixo custo para a produção de etanol. Diferentes tipos de material orgânico foram apontados como de grande potencial para a produção do biocombustível, tais como o bagaço e a palha de cana-de-açúcar, abundante no Brasil e o milho nos EUA. Essa diversidade de matérias-primas garante o aumento da competitividade, o que é muito positivo para o mercado.  

O ponto forte dos debates foram os processos de tratamento das diferentes matérias-primas, buscando a viabilidade econômica da produção do etanol. O pré-tratamento do bagaço de cana, o processo de fermentação do caldo, a necessidade de novas tecnologias e o controle da produção em escala industrial, foram destaques de diversas palestras. 

Foi destacado também pelos pesquisadores que, apesar da grande diversidade de matérias-primas disponíveis para a produção do biocombustível, a indústria se depara com desafio, que é a transformação desses materiais ricos em celulose em biocombustível. Para a obtenção do etanol, o principal processo utilizado é a hidrólise, que busca a conversão da celulose e da hemi-celulose, existentes em abundância na biomassa, em açúcares que possam ser fermentados. Diversas são as rotas tecnológicas que estão sendo pesquisadas para desenvolver os novos processos de segunda geração, sendo que no momento a hidrólise e a gaseificação da biomassa são as mais promissoras.

Outra discussão importante que norteou as palestras foi o custo referente às diversas etapas ligadas ao processo de produção do biocombustível, ou seja, quanto maior o número de etapas, maior será o custo de produção e consequentemente do produto final. 

No processo produtivo de biocombustíveis estão incluídos diversas etapas, como a produção de enzimas, a sacarificação - hidrólise de polissacarídeos produzindo maltose e glicose sob a ação da enzima glucoamilose – a fermentação de pentoses e de hexoses. Dentro desse processo o segundo fator que mais contribui para a elevação do custo final do produto é o fornecimento de enzimas, tornando o preço do etanol no mercado pouco competitivo, em relação ao petróleo.

Uma possível solução para o uso das enzimas seria a conversão da biomassa em açúcares para produzir combustível, a partir do processo de bioprocessamento consolidado. Nessa técnica, as fases de transformação biológica para a produção de bioetanol ocorrem apenas uma vez, o que pode tornar o produto viável economicamente.

Solução biotecnológica

As enzimas produzidas por microorganismos geneticamente modificados possuem uma atividade de hidrólise superior, quando comparadas às utilizadas por outros processos. O uso da biotecnologia nesse caso é de grande valia, pois a utilização de enzimas de origem externa encarece e torna o processo economicamente inviável. Apesar da maior eficiência das enzimas desses microorganismos, os pesquisadores ainda enfrentam um problema, esses organismos produzem, além do etanol, outros subprodutos indesejáveis. O desafio está em reprogramar esses organismos para produzirem apenas o biocombustível.   

18/09/2009
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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