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Enzima ajudará na produção de bicombustíveis

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Um dos grandes questionamentos sobre os biocombustíveis é o tipo de matéria-prima a ser utilizada, assim como os aspectos, sociais, econômicos, ambientais e políticos envolvidos no processo produtivo. Toda matéria-prima envolvida nesta tecnologia exige a principio uma avaliação e uma pesquisa, capaz de fornecer informações necessárias para que a produção deste tipo de combustível tenha o melhor rendimento.

O biocombustível é uma fonte de energia renovável que pode ser produzida a partir de diversos tipos de derivados de materiais agrícolas, tais como, as plantas oleaginosas, a biomassa florestal, a cana-de-açúcar, entre outros.

Diversas pesquisas vêm sendo realizadas para o desenvolvimento e utilização de tecnologias na produção de biocombustíveis. O sequenciamento e a análise do genoma do fungo Postia placenta (P. Placenta), que ataca a madeira, é um exemplo do uso da biotecnologia para a produção dessa classe de combustível. Este estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores do Grupo de Genética e Microbiologia da Universidade Pública de Navarre, Espanha. A cientista da Universidade de Winscosin, EUA, Dan Cullen, coordenou o projeto de sequenciamento e identificação do genoma do fungo P. placenta, que teve duração de dois anos. Esse projeto incluiu 53 pesquisadores de oito países e foram sequenciados 17.000 genes do genoma do fungo.

Esta pesquisa tem grande relevância para o desenvolvimento de processos que permitam a utilização da madeira na produção do bioetanol. Esse biocombustível é obtido através de biomassa, como a de cana-de-açúcar, de milho e de celulose. No Brasil a matéria-prima mais utilizada para a obtenção de biocombustivel é a cana-de-açúcar. Nos EUA utiliza-se o milho e na França a beterraba como matéria-prima.

Umas das maiores dificuldades de utilização da glicose, açúcar presente na estrutura da celulose das árvores, é torná-la disponível para que ela possa ser utilizada no processo de produção de combustível. Esse processo pode ocorrer, de acordo com o pesquisador deste esudo, Antonio G. Pisabarro, através de duas doenças causadas por diferentes espécies de fungos, a podridão branca e a marrom. Essa última, tem origem na infecção do vegetal pelo P. Placenta, que tem a capacidade de degradar a madeira sem danificar a lignina, para obter a celulose. A lignina confere rigidez, impermeabilidade e resistência a ataques microbiológicos e mecânicos aos tecidos vegetais. As árvores atacadas por esse fungo desenvolvem a podridão marrom que causa a despolimerização da celulose.

Para compreender os mecanismos bioquímicos e genéticos pelos quais o fungo consegue realizar a despolimerização da celulose, os pesquisadores através do sequenciamento do genoma, do transcriptoma (sequenciamento de regiões genômicas derivadas do RNAm) e do secretoma (conjunto de proteínas) do P. Placenta, encontraram uma enzima e um conjunto de glicosídeo hidrolases, ambos de origem extracelular. O P. Placenta, quando cultivado em um meio rico em celulose, como única fonte de carbono, expressou grandes quantidades de hemicelulases e um tipo de endoglucanase, quando comparadas à culturas que crescem em meio rico em glicose.Os resultados desta pesquisa foram publicados na edição de março da revista American National Academy of Sciences (PNAS).

A conclusão desses estudos servirá de base para novas pesquisas sobre o mecanismo de conversão de celulose em moléculas menores. Ajudará também, a entender como alguns fungos conseguem degradar a lignocelulose. Os conhecimentos adquiridos com o sequenciamento do genoma do P. Placenta serao úteis no desenvolvimento de processos para a produção de álcool, a partir de madeira, de forma mais eficiente e menos nociva ao meio-ambiente.
 
06/03/2009
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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