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Gramíneas, mandioca e mamona no uso de biocombustíveis

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Como já acontece em alguns países, o Brasil tem levado empresários rurais a reduzir seus custos de produção, misturando óleos vegetais (biocombustível) com derivados de petróleo. Obtido a partir de óleos vegetais extraídos principalmente da soja, nabo forrageiro, girassol e caroço de algodão, o biodiesel é o mais novo mercado de combustíveis no Brasil, seja pelo atrativo econômico, ou como vetor de qualidade ambiental, auxiliando na diminuição das emissões nocivas ao meio ambiente.

Várias gramíneas poderão ajudar o ser humano a substituir o uso dos combustíveis fósseis, pelo menos essa é uma análise feita pelo líder de um grupo de pesquisadores americanos que analisaram plantas brasileiras, chegando essas mesmas gramíneas a produzir uma quantidade de energia 238% superior a culturas como soja e milho, analisados por um período de 10 anos.    O trabalho publicado na revista Science analisa os efeitos potenciais do uso de gramíneas e ervas, e sua grande abundância em vários países. Visto que a cobertura em pastos de todo mundo é grande, o torna uma matéria prima promissora para contínuos estudos. Segundo o líder da pesquisa, David Tilman “as vantagens nesse caso, além de energéticas, serão também de cunho ambiental visto que ervas e gramas podem ser plantadas em regiões já degradadas que estão em fase de regeneração”. Estudos realizados a partir da liberação de gases do efeito estufa, mostraram que o efeito poluidor é muito baixo quando gramíneas são usadas como matéria prima. Segundo o pesquisador “além de ser útil para a produção de biocombustíveis, não entra em competição nem com as áreas usadas para a produção de alimentos e muito menos com áreas florestais, áreas estas que devem ser cada vez mais preservadas por causa dos altos índices de perda da biodiversidade”.

Não só gramíneas têm sido usadas para produzir Biodiesel. A mamona hoje é colocada pelo governo como uma planta de excelente potencial e está incentivando seu plantio, principalmente nas regiões carentes do Brasil. Em termos de óleo de mamona os três maiores produtores mundiais são a Índia, a China e o Brasil, que participaram, em 2001, com 92% da produção mundial. As usinas de biodiesel instaladas ou em fase de implantação no Ceará poderão ter que importar oleaginosas de outros estados em virtude da insuficiência de produção de mamona no Estado. O fato é que até o final de 2007, a capacidade instalada para produção do combustível em terras cearenses será de 160 mil toneladas/ano (ou 160 milhões de litros anuais). A Empresa Bioma pretende produzir biodiesel no Maranhão e quer garantir o fornecimento da mamona, a matéria-prima. Para substituir 2% do consumo interno de diesel serão necessários 786 milhões de litros de biodiesel, com base no consumo de 2003, desse volume, 293 milhões de litros (40%) deverão ser obtidos a partir de óleo de mamona.

Porém, como os incentivos à produção de mamona têm sido baixos nos últimos anos, não atingindo os valores desejados, os produtores estão buscando outras alternativas, e uma das mais procuradas e promissoras oleaginosas do Brasil é o pinhão manso, que vem ganhando força para substituir o uso da mamona, devido as suas características singulares e vantagens em relação à outra. O pinhão manso é uma planta oleaginosa viável para a obtenção do biodiesel, pois produz, no mínimo, duas toneladas de óleo por hectare, levando de três a quatro anos para atingir a idade produtiva, que pode se estender por 40 anos. Com a possibilidade do uso do óleo do pinhão manso para a produção do biodiesel, abrem-se amplas perspectivas para o crescimento das áreas de plantio com esta cultura no semi-árido nordestino.

Depois da crise de petróleo nos anos 70, o Brasil fez planos para substituir parte do combustível derivado de petróleo com álcool a base de cana-de-açúcar e mandioca. Para título de exemplo, o Brasil produziu nos anos 80, álcool suficiente para substituir 20% da gasolina necessária para seus automóveis. Nesse mesmo período o preço do petróleo caiu e perdeu-se o interesse na produção de álcool a base de mandioca. Porém a cana-de-açúcar gerou uma nova política energética no país, trazendo com ela também vários inconvenientes. Mas pesquisas com base em mandioca não se extinguiram. Estudos piloto estão sendo realizados no Reino Unido para serem aplicadas nas indústrias de farinha no continente Africano. A África é o maior produtor de mandioca do mundo, sendo o tubérculo a base alimentar da maioria da população. O uso de derivados da mandioca, como o biodiesel, nessa região é de extrema valia e de grande impacto na economia pouco desenvolvida.

   
19/03/2007
 

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