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A Biotecnologia e os Fármacos

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Nos últimos anos a biotecnologia vem aumentando sua participação nos processos da indústria farmacêutica de forma bastante significativa na produção de fármacos, sendo estes, considerados bem mais complexos quando comparados as drogas sintéticas. O nível de complexidade é atribuído devido a composição heterogênea dos componentes ativos, capazes de interagir com as proteínas do corpo humano. Outro detalhe complexo é a forma minuciosa que o processo requer em todas as etapas de formulação dos biofármacos, pois exige desde a mudança do código genético da célula que irá promover a produção da proteína desejada, até o isolamento e purificação para se obter o componente ativo.

Os fármacos biológicos vem sendo a principal frente de inovação da indústria farmacêutica. No ano de 2003 já representavam quase 50% da produção: 154 remédios para o câncer, 43 para as doenças infecciosas, 26 para as doenças autoimunes e 17 para a AIDS. Tais produtos variam sua forma e textura, podendo  ser desde vacinas até enzimas. Os benefícios desta tecnologia para área da saúde humana, implicam diretamente no acesso e na possibilidade de novas terapias para portadores de patologias complexas e de difícil tratamento. Tem-se como exemplo os casos de indivíduos portadores da diabetes, onde a necessidade do cultivo de bactérias para a obtenção da insulina é imprescindível, sendo este um processo não existente até poucos anos.

A busca por medicamentos que possam combater doenças de quadros crônicos e complexos, trazem como consequência um grande investimento econômico, como por exemplo as pesquisas voltadas para a cura do câncer. Apesar do risco de perda do capital investido em pesquisas que não obtém sucesso, existem muitos aspectos positivos que motivam as grandes indústrias e as pesquisas clinicas a chegarem cada vez mais longe. Este foi o caso das avançadas vacinas que possibilitam maior controle e equilíbrio na saúde publica através da prevenção de epidemias. Utilizar organismos vivos para a produção de fármacos vem aumentando de forma considerável, onde o grande objetivo esta voltado em encontrar terapias mais eficientes, como já foi feito nos casos de tumores cerebrais, mal de Alzheimer e leucemia linfocítica crônica.

Contribuições biotecnológicas para o setor não se aplicam apenas a síntese de novos fármacos, mas também, na fabricação destes produtos em termos quantitativos, ou seja podendo atender a alta demanda por medicamentos em um curto intervalo de tempo, favorecendo por tanto, maior acesso desses produtos para a população. Atualmente, em termos globais a principal frente de pesquisas esta voltada para os hormônios, mais especificamente as citocinas. Já as vacinas representam apenas 22% dos esforços mundiais, tendo em destaque o Brasil, que neste quesito permite a distribuição gratuita deste tipo de medicamento.

Apesar da alta importância refletida de forma crescente no mercado da produção em larga escala e da busca pela síntese de novos fármacos, outras pesquisas visam investir em medicamentos personalizados, sendo estes remédios desenvolvidos com dosagens exatas para cada organismo, pois estes fármacos quando ingeridos em uma dosagem ótima, baseada na composição genética de cada indivíduo, é mais eficaz, devido ao controle dos genes sobre as proteínas do corpo humano, minimizando assim os efeitos adversos do medicamento e aumentando a eficácia do mesmo.

Existe todavia uma grande barreira tecnológica no Brasil, em relação ao fato do país não dominar a fabricação dos princípios ativos utilizados na produção destas modernas drogas. Atualmente estes ativos são importados, e geram um gasto anual de 4 bilhões de dólares. Estima-se que no nosso País um aumento na formulação dos fármacos e uma ampliação considerável do setor ocorrerá a partir de 2018, devido ao vencimento das patentes de diversos biofármacos, previstos  para o período de 2014 à 2017.

Os altos investimentos em pesquisas estão focadas nas patologias que geram um número significativo nos índices de mortes, como a obesidade, diabetes, câncer e Alzheimer. Após o expiramento das patentes o mercado de biofármacos poderá representar um valor de até 45 bilhões de dólares, esse fato favorecerá a geração de novos biossimilares e uma ótima perspectiva econômica para as indústrias farmacêuticas nacionais.

13/03/2014
Natália T. Cintra Damião - Equipe Biotec AHG
 

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