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IncRNAs interferem na expressão genes

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Desde a descoberta da capacidade de interferência dos genes intrônicos, não codificadores de proteínas na expressão de alguns genes, cientistas de todo o mundo vêm se dedicando às pesquisas que procuram compreender como esse processo se desenvolve e como essas sequências se relacionam com os genes que expressam proteínas.

Recentemente, cientistas da Universidade de São Paulo (USP) publicaram um artigo na edição de novembro de 2013 da revista Molecular Cancer, que apresenta os resultados da pesquisa sobre a expressão e a caracterização de RNA intrônicos não codificadores, em células de carcinoma renal e suas associações funcionais.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, os tumores do parênquima renal correspondem a 2-3 % de todas as neoplasias malignas e têm uma incidência de 30 mil novos casos por ano e 12 mil mortes ao ano nos Estados Unidos. No Brasil estima-se uma incidência de 7-10 casos a cada 100 mil habitantes por ano. Essa doença ocorre com uma frequência duas vezes maior em homens e acometem principalmente indivíduos na faixa dos 50 aos 70 anos de idade.

O objetivo principal do estudo foi o de entender como os RNA intrônicos e intergênicos não codificadores (IncRNAs, sigla do nome em inglês), interferem  na expressão dos genes codificadores e, consequentemente,  na patogênese de células de carcinoma renal (RCC, em inglês).

Para entender como funciona esse mecanismo molecular, realizaram as análises por meio da técnica de microarranjos (DNA microarray), que permite a análise da variação de expressão, com matrizes de design personalizado enriquecidos com sondas para lncRNAs e mapeamento de regiões genômicas intrônicas.

As análises comparativas foram realizadas entre sete pacientes, que nos primeiros cinco anos do tratamento tiveram recidiva do câncer, com outros onze que, no mesmo período, não apresentaram a doença. Amostras de tecido tumoral desses dezoito pacientes foram utilizadas para comparações com tecido sadio de regiões adjacentes.

Os resultados obtidos a partir da comparação entre os diversos tecidos detectaram a presença de 29 lncRNAs intrônicos, que se expressaram de forma diferente entre RCC e as amostras não tumorais. Foram encontrados também 26 lncRNAs intrônicos não codificadores, que estavam com a expressão alterada na comparação entre as amostras dos pacientes que tiveram e os que não tiveram reincidência. Nesse caso, essa alteração pode ser um sinal da agressividade do tumor.

Em entrevista à Agência FAPESP, o cientista do Instituto de Química da USP e coordenador da pesquisa, Sergio Verjovski Almeida, esclareceu que a etapa seguinte do projeto foi identificar se o aumento na expressão de um não codificador faria aumentar ou diminuir a expressão de genes codificadores. Para isso, foram feitas análises com tecido tumoral de rim e com tumores de próstata e de fígado. O intuito foi verificar entre os genes intrônicos não codificadores de proteína, expressos em tumor de rim, aqueles que apresentavam algum tipo de correlação, seja ela positiva ou negativa, à expressão de genes codificadores de proteína.

A correlação foi encontrada entre 700 genes codificadores de proteína e 109 não codificadores, portanto, cada gene intrônico não codificador estava regulando o funcionamento de, em média, sete genes codificadores de proteína nos tecidos analisados.

O pesquisador comentou ainda que cerca de 22% desses genes não codificadores estavam regulando funções de genes codificadores no mesmo locus, ou seja, na mesma região do genoma, mas na fita oposta do DNA. Os outros 78% estavam regulando a função de genes localizados em outras regiões do genoma. Ele esclarece ainda que são necessários novos estudos para entender por que esse conjunto de genes não codificadores está sendo expresso de forma diferente no tecido tumoral, para somente então, se pensar em intervenções para aumentar a expressão dos que estão diminuídos e vice versa.

A maior dificuldade desse tipo de pesquisa, segundo Verjovski-Almeida, reside na obtenção de amostras de pacientes, além de o câncer renal ser relativamente raro, não é forte entre os médicos da área a cultura de armazenar tecido para pesquisas futuras. A partir dos resultados obtidos, o grupo de pesquisadores pretende verificar se genes sabidamente envolvidos em câncer estão sendo regulados por não codificadores.

31/01/2014
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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