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Brasil sedia evento sobre bionegócios

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A chamada bioeconomia é um novo e emergente campo da economia que vem ganhando pouco a pouco mais força no cenário econômico mundial. Fatores como o elevado embasamento técnico e a vasta amplitude de ação da biotecnologia moderna, possibilitaram o desenvolvimento de produtos e processos, originando um novo campo da indústria e influenciando a economia mundial. A somatória de forças de áreas da indústria, tais como de alimentos, farmacêutica, química, da saúde, de energia e da informação, vem convergindo para o surgimento da bioindústria, um dos maiores braços da indústria mundial.

 

Por meio de incentivos governamentais e de outras fontes de investimentos as pequenas e médias empresas estão liderando a bioeconomia na América Latina, com destaque para os setores de combustíveis renováveis e a biotecnologia agrícola, as quais vem atraindo investidores e empresas multinacionais.

Nesse contexto, destaca-se a terceira edição do BioPartnering Latin America (BPL), evento que ocorrerá entre os dias 11 e 13 de setembro na cidade do Rio de Janeiro e que tem como principais objetivos oportunizar a descoberta de tecnologias e produtos em desenvolvimento por empresas latino-americanas e diversas instituições de pesquisa. O evento possibilita também o conhecimento das atuais iniciativas para a produção de produtos biológicos na região, indústrias de capital de risco e outras possibilidades de financiamento na América Latina, além de buscar parcerias e novos negócios com o setor industrial.

 

Papel do Brasil na Bioeconomia

A indústria farmacêutica no Brasil, tanto no âmbito privado quanto no público, tem como ponto convergente, em relação ao uso da biotecnologia, desenvolver novos fármacos com maior potencial de ação e com menores efeitos colaterais, apesar do custo ainda elevado quando comparado com as drogas sintéticas.

O desenvolvimento desses produtos ocorre a partir de processos que envolvem a biologia molecular e celular, através do uso de ferramentas como a engenharia genética, a tecnologia do DNA recombinante, os cultivos celulares e os organismos modelo. O resultado da aplicação dessas tecnologias tem como principais metas a descoberta de moléculas terapêuticas e a realização de testes pré-clínicos, para o desenvolvimento de proteínas terapêuticas, vacinas, anticorpos terapêuticos e pequenas moléculas.

Um dos principais atributos do mercado biofarmacêutico é a inovação, entretanto, é necessário que haja transferência de tecnologia dos centros de pesquisa para as pequenas empresas inovadoras e para as grandes indústrias farmacêuticas. De forma geral, o financiamento para a pesquisa e desenvolvimento (P&D) em empresas biofarmacêuticas, ocorre por meio de subsídios de agências públicas e o Venture Capital.

O cenário brasileiro atual conseguiu grandes avanços, a começar pelo novo marco legal e regulatório com a aprovação da Lei de Inovação Tecnológica (2006) e de leis estaduais de inovação tecnológica, além dos crescentes orçamentos federais destinados à pesquisa e programas de fomento e financiamento para a criação de empresas inovadoras.

Esses avanços levaram o Brasil a um dar um importante passo para a sua inserção no quadro da bioeconomia mundial e principalmente da América Latina, frente a esse cenário bastante promissor, se faz necessário que o país aproveite as oportunidades de negócios que estão surgindo.

A presença de uma rica biodiversidade em países como o Brasil, por exemplo, é um fator vantajoso para esse setor tecnológico, já que ela é matéria prima essencial para o futuro de diversos mercados estratégicos. O contexto socioeconômico em que a biotecnologia é desenvolvida e aplicada inclui o mercado e a competição, as instituições de pesquisa públicas e privadas e os direitos de propriedade intelectual, o que determinará também que aplicações e, consequentemente, que efeitos a nova bioeconomia provocará na conservação e na utilização da biodiversidade no país.

Mesmo com esse cenário bastante promissor, diversas limitações e dificuldades ainda são encontradas para estabelecimento de uma bioeconomia sólida no Brasil tais como a burocracia, relacionada à importação de produtos e maquinários, órgãos fiscalizadores, licenças e instituições federais. Muitas barreiras ao desenvolvimento desse setor estão ligadas também à ausência da cultura empreendedora e inovadora nas universidades, aos mecanismos que estimulem e garantam a formação de spin-offs e trocas entre o setor acadêmico e a indústria, restrições à propriedade intelectual, dificuldades para investimentos de longo prazo e alto risco por parte das indústrias farmacêuticas nacionais e pouco Venture Capital para empresas biofarmacêuticas inovadoras.

No contexto atual de desenvolvimento do parque biotecnológico, não só da América Latina, mas também mundial e com todas as conquistas científicas que a biotecnologia vem possibilitando nas mais diversas área da ciência, fica cada vez mais evidente a necessidade de fortalecer a bioeconomia, seja ela num âmbito local, mas principalmente mundial. A BPL é uma dessas valiosas oportunidades para que empresas, de pequeno, médio ou grande portes, governos e instituições de pesquisas, possam estabelecer ou mesmo fortalecer os laços dessa nova vertente econômica.

25/07/2012
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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