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Mosquito GM reforça combate a dengue

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De acordo com dados recentes informados pelo Ministério da Saúde, nos primeiros quatro meses deste ano foram registrados 286.011 casos confirmados de dengue no país, uma queda significativa de 44% em relação ao mesmo período de 2011. Apesar desse declínio, sete estados brasileiros, Tocantins, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Roraima e Mato Grosso, registraram alta no número total de casos confirmados. Ainda segundo o Ministério da Saúde, os casos graves, ou seja, que precisam de hospitalização, e a taxa de mortalidade, mostraram quedas bastante expressivas de 87% e 80% respectivamente.

Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta outros inimigos que dificultam uma maior eficiência no combate ao Aedes aegypti, agente transmissor do vírus da dengue, que são a capacidade tecnológica instalada, a legislação e a burocracia. Esses foram os três principais fatores que levaram o país a ser escolhido para dar início à produção em larga escala e para realizar testes urbanos com o mosquito geneticamente modificado.

Essa estratégia vem sendo aplicada pela bióloga e professora do Departamento de Parasitologia da Universidade de São Paulo (USP), Margareth de Lara Capurro Guimarães, que acompanhou a produção, liberação e monitoramento do mosquito geneticamente modificado (GM).

Para a realização dos experimentos, a USP e uma Organização Social (OS) brasileira firmaram um convênio de cooperação técnica e administrativa para a produção do mosquito GM. Nessa parceria está inserido o chamado Projeto Aedes Transgênico (PAT) desenvolvido pela OS, que tem como objetivo controlar a transmissão da doença pela produção de linhagens de insetos GM. O PAT tem como base a utilização de mosquitos machos de uma linhagem transgênica para combater o mosquito transmissor do vírus da dengue.

A criação desses mosquitos, que foi realizada por cientistas ingleses, ocorreu pela introdução de um gene que sintetiza uma proteína específica no Aedes aegypti. Quando ele é transmitido à prole, produz essa proteína em altas doses, impedindo que as larvas desses mosquitos cheguem à fase adulta, impossibilitando assim a transmissão da doença.

Os testes de campo já foram realizados em dois bairros de Juazeiro (Bahia), resultando na redução de 90% da quantidade de mosquitos, e de acordo com a pesquisadora, em entrevista dada à Agência Brasil, a intenção é ampliar a área de atuação até o final do ano.  Ainda segundo a cientista, a expectativa é de até dezembro deste ano, levar a pupa do Aedes aegypti para o município de Jacobina (Bahia).

Um dos pontos principais destacados pela pesquisadora para o atual sucesso do projeto, ainda em pequena escala quando comparado com a dimensão dos casos de dengue em todo território nacional, é o sistema de regulamentação obtida a partir da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), tal como a Lei nº 11.105/2005, que, ao estabelecer normas de segurança e mecanismos de fiscalização das atividades que envolvam organismos geneticamente modificados, dá suporte à aplicação de projetos como o PAT.

Apesar dos bons resultados obtidos até o momento, o Brasil ainda tem duas linhas de pesquisas a serem exploradas no combate à doença, o desenvolvimento da vacina e a produção de reagentes. Entretanto, são necessários mais investimentos, como fez o governo da Bahia ao injetar a quantia de R$ 1,7 milhão para ampliar a capacidade da OS brasileira de produção de mosquitos transgênicos.

13/07/2012
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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