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Vírus da dengue altera expressão gênica

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Segundo informações recentes do Ministério da Saúde, o número de casos de dengue no Brasil sofreu uma redução de 61% nos primeiros 63 dias de 2012, em comparação com a mesma época de 2011. Essas informações foram apresentadas pelo secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, durante a Reunião de Avaliação do Programa Nacional de Controle da Dengue da Região Nordeste, em Fortaleza (Ceará).

Em todo mundo, 2,5 bilhões de pessoas vivem em áreas com risco de transmissão da epidemia de dengue – doença que tem como agente etiológico um RNA vírus da família Flaviviridae, gênero Flavivirus e como vetor, mosquitos da espécie Aedes aegypti. Esse quadro mostra a proporção que a doença tomou, tornando-a a  mais importante dentre aquelas de transmissão ao homem por mosquitos.

O conhecimento da doença, para fins de prevenção e cura, está relacionado a fatores entre o vírus e o mosquito e os mecanismos de transmissão para o ser humano, estão vinculados diretamente à inoculação do vírus na saliva e infecção da glândula salivar do inseto.  Essas interações entre o agente viral e o hospedeiro, ainda pouco conhecidas pelos cientistas, são o foco de um estudo liderado pelo pesquisador do Instituto de Pesquisa de Malária e da Escola de Saúde Pública de Bloomberg (Universidade Johns Hopkins), George Dimopoulos.

Nesse estudo, o pesquisador informou que os insetos infectados sofrem diversas mudanças na atividade de alguns genes associados à funções das glândulas salivares, as quais levam a um aumento da transmissão do vírus. Dentre essas modificações, destacam-se as do sistema imunológico, que afetam a susceptibilidade do mosquito à infecção e outras que aumentam a capacidade do A. aegypti de se alimentar do sangue, culminando em maiores possibilidades de infecção pelo ser humano.

A pesquisa se concentrou em caracterizar a resposta das glândulas salivares dos mosquitos à infecção pelo DENV (em português, vírus da dengue) em relação aos fatores, expressão gênica e níveis funcionais. O impacto da infecção sobre a função e fisiologia da glândula salivar, foi avaliado pela equipe de cientistas por meio de uma análise comparativa de genoma por microarranjos e o estudo do transcriptoma de resposta das glândulas salivares à infecção viral.

Os resultados mostraram que a infecção pelo DENV resultou na regulação de 147 transcritos que representam variedades de classes funcionais, muitas delas importantes na transmissão do vírus.  Eles observaram também que o vírus a induziu à expressão de alguns transcritos que modulam a replicação do vírus na glândula salivar. De forma inesperada, a equipe de pesquisadores verificou que o vírus também induziu transcritos de duas OBP (odorant-bind proteínas ou proteínas de ligação a odorantes), demonstrando a importância desse fato no comportamento do mosquito.

De acordo com artigo publicado na revista PLoS Pathogens, esse é o primeiro estudo a demonstrar que o DENV afeta, não apenas os processos celulares, modulando a replicação do vírus, mas também alterando mecanismos quimiosensoriais de forma a aumentar a transmissão do vírus.

12/04/2012
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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