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Evolução dá resistência à bactérias

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Atualmente, quando se fala na utilização de antibióticos para o tratamento dos mais variados tipos de infecções, principalmente em ambientes hospitalares, a primeira preocupação é com o aumento da resistência pelos microrganismos patogênicos, devido ao seu uso indiscriminado.  Esse vem sendo considerado, há muitos anos, um grave problema de saúde pública e um desafio aos cientistas de diversas áreas que estão à procura de novas substâncias que possam combater principalmente as bactérias.

De acordo com os mais recentes dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), as infecções hospitalares afetam anualmente 4,5 milhões de pacientes na Europa e 1,7 milhões nos Estados Unidos. Ainda segundo esse mesmo órgão, elas atingem 10% dos pacientes em países desenvolvidos e 15% nas regiões em desenvolvimento.

No Brasil, mais particularmente em São Paulo, um projeto-piloto envolvendo 50 hospitais públicos e particulares do Estado pretende reduzir em 30% os índices de infecção hospitalar da corrente sanguínea nas UTIs. As informações da Secretaria de Estado da Saúde apontam que esse tipo de infecção cresceu 22,46% em seis anos.

Dados alarmantes como esses deixam clara a necessidade de um controle mais efetivo do uso dos antibióticos, assim como do investimento em pesquisas para o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes. É com esse intuito que cientistas da Universidade de Lisboa e do Instituto Gulbenkian de Ciência, ambos em Portugal, desenvolveram um estudo que revelou uma surpreendente descoberta sobre o aumento da resistência da Escherichia coli (E. coli) aos antibióticos. O artigo com os resultados da pesquisa foram publicados na edição de julho da revista PLoS Genetics.

A resistência das bactérias se deve a dois mecanismos principais: o acúmulo de plasmídeos que podem ser adquiridos por conjugação – transferência de DNA diretamente de uma bactéria doadora para uma receptora – e mutações ocorridas em alguns genes. Até onde se sabia a presença dos plamídeos constituía um prejuízo para as bactérias, quando se pensava na associação do plasmídeo com a replicação, manutenção do elemento genético e a expressão dos genes.

Partindo desses conhecimentos, os pesquisadores estudaram as interações epistáticas entre cinco plasmídeos conjugativos naturais e dez mutações cromossômicas que conferem resistência a três tipos de antibióticos, perfazendo um total de 50 combinações diferentes entre esses dois elementos. A partir daí, eles conseguiram mostrar que em muitos casos, a presença dos plamídeos é vantajosa para cepas que possuem mutações de resistência em seus cromossomos.

De acordo com o estudo, esse fenômeno ocorreu em 16 (32%), das 50 combinações testadas e em cinco (10%) das 50 combinações plasmídeo-mutações, analisadas foi observado um aumento na aptidão à resistência, quando uma bactéria que já havia recebido um plasmídeo, sofre uma mutação para essa característica.

O fato, considerado inesperado, principalmente mediante o conhecimento prévio dessas interações genéticas, pode ter sido o mais importante passo para que os pesquisadores desvendem como se deu a evolução da resistência aos antibióticos e uma importante chance para diminuir a incidência de infecções por bactérias.

05/08/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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