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Projeto utiliza DNA em casos de desaparecimentos de crianças

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O Centro de Ciências Forenses - Cencifor - do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho, da  Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, está realizando um trabalho inédito de auxílio à elucidação dos casos de crianças desaparecidas no Estado de São Paulo - o projeto Caminho de Volta.


Trata-se de um sistema que envolve as áreas de Psicologia, Biologia Molecular, Genética, Bioinformática e Telemedicina, baseado em quatro eixos principais: a identificação das causas do desaparecimento, a criação de um banco de DNA, o suporte psicossocial às famílias e a capacitação de profissionais quanto aos direitos da criança e do adolescente.     A identificação das causas tem importância social, preventiva e é realizada pela análise da organização familiar. "A avaliação epidemiológica das causas identifica fatores determinantes e estabelece medidas de prevenção", afirma a Profª. Drª. Gilka Figaro  Gattás, coordenadora do projeto.
 
 
Banco de Dados

A criação de um banco de DNA, realizado por meio da coleta do sangue e da saliva dos pais ou irmãos dos desaparecidos, permitirá uma rápida avaliação do vínculo genético das crianças e adolescentes que forem localizados. Ele conterá informações como nome, idade, parentesco, descrições e informações genéticas. 

Segundo a pesquisadora, os benefícios desse banco, que será nacional, são inúmeros. "É perene e imutável, anula o efeito de idade, evita o deslocamento das famílias para possíveis reconhecimentos, além disso, o material coletado pode durar até 20 anos", explica.

Como se trata de um banco relacional normalizado, será possível fazer qualquer tipo de cruzamento de dados. Esse sistema terá uma interface Web, que garantirá  sua acessibilidade em qualquer parte do País, sem comprometimento das informações nele contidas.

Outro eixo importante é o suporte psicossocial, que faz um exame da dinâmica familiar, além de acompanhar o processo de busca e participar na solução do caso para que a criança seja reintegrada em seu ambiente. O atendimento psicológico possui um caráter preventivo para evitar que outras crianças e adolescentes se encontrem em situação de vulnerabilidade.

Por último, a capacitação de profissionais envolvidos na área será realizada por meio de cursos presenciais e à distância - a Telemedicina.

 

Números

De acordo com estatísticas da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) cerca de oito mil crianças e adolescentes desaparecem por ano no Estado de São Paulo.


No Brasil, esse número gira em torno de 40 mil pessoas. Nos casos identificados como fuga, a faixa etária mais susceptível está entre 13 e 18 anos. Entre as principais causas das fugas estão os maus tratos, com 30% e a violência doméstica, com 20%. Alcoolismo,  drogas e abuso sexual são também fortes indicativos.     "Para entrar no projeto é preciso que a família faça um Boletim de Ocorrência, em seguida, há o atendimento psicológico e a coleta de material para o banco de DNA", esclarece Gilka.

O trabalho realizado pelo projeto Caminho de Volta é desenvolvido com a ajuda de um seqüenciador automático, recebido por empréstimo, que tem capacidade para processar duas mil amostras por semana, 380 a cada dia. 

E os primeiros resultados já estão aparecendo. Em sete meses, já são 106 famílias cadastradas, com índice de 57% de crianças localizadas.

 

26/05/2005
 

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